quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.751(2021)

    

 

                        Tirou de dentro da mochila uns sete ou oito livros e colocou em cima do balcão. A senhora que o atendeu ao pegar um por um dos livros disse:

                        --- Vamos ver.

                        E numa rápida consulta olhando para ele sentenciou:

                        --- Vou ficar com esses dois, o restante já tenho, são bons livros sem dúvida, mas não vou fazer estoque se já os tenho. Por exemplo, Carandiru tenho sete volumes, José Lins do Rego, Fogo Morto, tenho sete volumes, entende...

                        --- Sim entendo, disse meio que desanimado, pensei que conseguiria uns quarenta reais.

                        --- Sinto muito.

                        --- Tudo bem, é que te falei que viria esse sábado...

                        --- Eu sei, não posso comprar o que não vendo, não é?

                        --- Está bem, e pegou os doze reais, guardou o restante dos livros e saiu pensando.

                        “Sábado passado ela foi tão esfuziante, conversou bastante, trocamos ideias que pensei: vou vender mais livros, no entanto hoje foi fria, como se quisesse me despachar logo. Por que será? Por causa do homem que estava sentado num banquinho seria o seu patrão ou, por causa dos rapazes que animados como se tivessem encontrado um tesouro estavam sentados no chão olhando as revistas e livros sobre HQ. Vai se lá saber.”

                        Andou uns cinquenta passos e entrou no outro sebo. Foi a mesma lenga-lenga, já tenho muitos desse e daquele, mas fico com esses dois por dez reais, ok, tudo bem, legal, até mais, e saiu meio que preocupado, pois sua intenção era e ainda é, vender os livros e ver se conseguiria complementar a quantia para pagar a fatura que já estava dez dias atrasada. Mas tudo bem, vamos em frente que atrás vem gente, vou conseguir é só mudar a estratégia, qual não sei, vamos ver, pensou ao entrar no banco. Tirou um envelope, colocou os vinte e dois reais, pressionou os comandos e depositou o dinheiro. Em casa ao registrar o deposito no controle que mantinha verificou que registrou trinta e dois reais e não vinte e dois. E agora? E veio em sua mente o que a mãe diria: “caga na mão e joga fora.” Riu. Bem, vamos esperar algum comunicado do banco... Tudo se resolve, e amanhã é um novo dia, e decidiu tomar uma estupidamente gelada ouvindo A Patética, de Tchaikovsky.

                        É isso...ou, não é?

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