...
meu caro pequeno caderno de capa dura azul, o Natal deixou respingos na
alegria, deixou as cantorias nas vozes da ansiedade, nos abraços o oco das
lembranças, e os mais velhos tomando suas cervejas lembram dos natais que já não
se fazem mais, não tem mais a magia de antigamente onde se fazia das tripas
coração para se ter algo na mesa e, como se divertiam com o pouco que tinham, o
riso parecia mais solto, mais desbragado, espontâneo, talvez porque os mais
novos é que estão tomando as rédeas do comando, decidindo isto ou aquilo, assim
ou assado, nada de ensopado, por favor, e o Natal já não é mais na nossa casa,
agora é na casa deles, eles estão fazendo suas histórias natalinas para no
futuro contar aos filhos como era os natais deles, assim como os mais velhos
hoje contam como foram os natais deles, noite alegre, luzes piscando nas
arvores, comidas, bebidas, risadas, crianças correndo nos espaços pequenos de
suas vidas esperando os presentes, e num canto um senhor sentado à mesa, quieto
entornando um copo atrás do outro, e quando tão pelo fato ele já está para lá
de Marrakech, dormindo, cabeça pendida no peito, talvez babando, fato que
ninguém notou, em pé cambaleava horrorosamente, tropeçando nas cadeiras, nas
mesas, ao entregar o presente do amigo secreto caiu por cima da pessoa, ao
receber o seu não conseguiu pegar deixando cair no chão, para a felicidade
geral ele não falava nada, uma vez ou outra lançava o olhar vítreo para um lado
e para o outro como se tivesse procurando algo, foi uma dificuldade quando
resolveram leva-lo embora, até que conseguiram, abriram a porta e o depositaram
no sofá e deixaram ele lá...
É
isso... ou, não é?
Nenhum comentário:
Postar um comentário