segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Diário de um sentir – Caderno número 8.767(2021)

                         

            ... meu caro pequeno caderno de capa dura azul, o Natal deixou respingos na alegria, deixou as cantorias nas vozes da ansiedade, nos abraços o oco das lembranças, e os mais velhos tomando suas cervejas lembram dos natais que já não se fazem mais, não tem mais a magia de antigamente onde se fazia das tripas coração para se ter algo na mesa e, como se divertiam com o pouco que tinham, o riso parecia mais solto, mais desbragado, espontâneo, talvez porque os mais novos é que estão tomando as rédeas do comando, decidindo isto ou aquilo, assim ou assado, nada de ensopado, por favor, e o Natal já não é mais na nossa casa, agora é na casa deles, eles estão fazendo suas histórias natalinas para no futuro contar aos filhos como era os natais deles, assim como os mais velhos hoje contam como foram os natais deles, noite alegre, luzes piscando nas arvores, comidas, bebidas, risadas, crianças correndo nos espaços pequenos de suas vidas esperando os presentes, e num canto um senhor sentado à mesa, quieto entornando um copo atrás do outro, e quando tão pelo fato ele já está para lá de Marrakech, dormindo, cabeça pendida no peito, talvez babando, fato que ninguém notou, em pé cambaleava horrorosamente, tropeçando nas cadeiras, nas mesas, ao entregar o presente do amigo secreto caiu por cima da pessoa, ao receber o seu não conseguiu pegar deixando cair no chão, para a felicidade geral ele não falava nada, uma vez ou outra lançava o olhar vítreo para um lado e para o outro como se tivesse procurando algo, foi uma dificuldade quando resolveram leva-lo embora, até que conseguiram, abriram a porta e o depositaram no sofá e deixaram ele lá...

            É isso... ou, não é?

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