Ele, com as mãos
Ele, com as mãos nos olhos, contornara a nudez da palavra seguindo letra por
letra, até formar silabas que, por sua vez, deu forma a palavra. Sorriu. Não
sabe por que, mas sorriu. Será que consegui escrever uma frase de efeito? Isso
é literatura? Bom, o importante é que estou escrevendo seja lá o que for, estou
colocando em símbolos gráficos pensamentos e ideias. Colocou ponto final.
Afastou-se. Leu mais uma vez. Ah! Está bom, melhor é impossível. Quem quiser
que escreva melhor. Fechou o Word, desligou o micro. Pegou a cerveja e foi se
estirar a beira da piscina.
Ele, com a pele excitada, sentiu a cadeira quente nas coxas e nas costas... O
sol da tarde esparramava cintilante brilho sem ofuscar os olhos. Tomou três
goles de cerveja estupidamente gelada. Coçou a virilha por cima do calção. Ah!
Se ela estivesse aqui nesses contornos da tarde emoldurando nossos corpos,
seria digno de uma pintura concreta abstrata, disse para si mesmo. Estirou as
pernas. Coçou novamente a virilha e sentiu o ardor de lábios roçando-o.
Ele, com o corpo apático, deitou a cabeça no travesseiro e sorriu. Mais uma
vez, enganou-se na solitária prosaica vida. Mais uma vez, o ácido da ausência
lhe fez companhia. Sorriu. Virou o corpo, abraçou o travesseiro e mais uma vez,
dormiu na paz apática de simplesmente existir.
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