Palavras.
Não tenho mais palavras. Se revoltaram. Fugiram. Ficou um vazio de palavras.
Como poderei agora dizer o que quero se as palavras se soltaram num pé de vento
e se perderam no emaranhado de citações e frases melosas e de autoajuda que
ajudar mesmo não ajuda nada. Não posso mais dizer o que lhe queria dizer. É
constrangedor querer lhe dizer: te amo se não tenho mais com que lhe dizer o te
amo, entende. Os lábios se mexem no silencio dos movimentos. A mão empunha a
esferográfica que desliza emaranhados caracteres sem conteúdo que nada
significam para mim e muito menos para você caso queira ler. Deveria me
aborrecer com tal problema, mas não me aborreço pois vejo isso como exercício,
não é, e por outro lado nada de desespero, o desesperado é um inútil que só faz
merda...
É
isso... ou, não é?
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