segunda-feira, 21 de março de 2022

Carta 1

 A temperatura caiu, não é a mesma dos dias anteriores, isto porque, ontem desabou por aqui um pequeno temporal e, você sabe como são esses pequenos temporais numa cidade como São Paulo, não sabe? Pois é em certos lugares a chuva devastou como sempre.

Mas não estou te escrevendo para falar de chuva, inundações e muito menos de São Paulo, apesar de que não me canso de falar dessa Metrópole que a cada dia cresce a cada suspiro de seus habitantes.

Como dizia acima, a temperatura baixou, não muito, ainda está um calor agradável, o que perturba é a garoa intermitente e, hoje ao pisar a calçada do Conjunto Nacional, percebi que fiz bem em vir de jaqueta. A garoa lentamente batia no meu rosto numa suavidade vaporosa, sem que eu a notasse.  

Não sei como poderá entender minhas palavras, espero que sejam as mais positivas, assim como não sei o que pensa todos os transeuntes que por aqui passam no dia a dia incessante. Ao descer do maçante ônibus fretado, no momento que meu pé direito pisou a calçada do Conjunto, como sempre meu sentimento foi dos mais positivos possíveis, algo que me leva a ter confiança nos gestos, no andar, a ter certeza de que o dia será se, não o melhor, mas bom, que não haverá outras preocupações além do corriqueiro.

Se me compreende não sei. Não escrevo para que me compreenda, entende? Escrevo para que me leia, isso é para mim o mais importante.  No entanto tudo o que escrevo é sincero e, se sinceridade é compreender, talvez me compreenda.

No sentir, debaixo da sola do sapato a firmeza do calçamento, num virar a cabeça quase que automático, reparei que os semáforos da avenida estavam descontrolados, piscavam sem cessar. Dei de ombros. Não atravessaria naquele instante a Paulista, meu destino foi atravessar a Rua Augusta, e pela calçada do Banco do Brasil, descer em sentido os Jardins. Despreocupado, não reparei um táxi que virou justo no momento em que eu estava no meio da rua. Estaquei de repente. O táxi passou e pisei a calçada como se nada houvesse acontecido.

Empurrei a porta do Delboni, retirei a senha e, me postei a espera de ser chamado. Nesses lugares é que observamos como as pessoas às vezes carregam uma carga de excentricidade. Eu mesmo ao ser anunciado no luminoso o número da minha senha, ao invés de ir para mesa indicada, fui para outra, sendo ridiculamente obrigado a dizer:

- Desculpe.

Como sempre detesto tirar sangue, apesar da afabilidade da enfermeira, virei o rosto para não ver a picada, só de sentir a agulha perfurando a pele, o calafrio do medo me domina. E como sempre, tudo correu bem. Ela tirou dois tubinhos de sangue e aplicou um bandeide para não sangrar.

 - Sabe que isso dói mais que a agulha? – disse para a enfermeira.

- Deve doer mesmo. Também, esse braço peludo! Quer levar um lenço umedecido?

- Não, obrigado, estou brincando. Passe bem tenha um bom serviço.

- Obrigada, para você também.

E, entre a caminhada da Rua Augusta, atravessar a Paulista, subir, ligar o computador, resolvi escrever para você. As pequenas histórias já tinham dado o seu recado. Deveria mudar novamente. É mudando que crescemos, é mudando que renovamos, não é mesmo?

Pois é, abraço.

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