A temperatura caiu, não é a mesma dos dias anteriores, isto porque, ontem desabou por aqui um pequeno temporal e, você sabe como são esses pequenos temporais numa cidade como São Paulo, não sabe? Pois é em certos lugares a chuva devastou como sempre.
Mas não estou te
escrevendo para falar de chuva, inundações e muito menos de São Paulo, apesar
de que não me canso de falar dessa Metrópole que a cada dia cresce a cada
suspiro de seus habitantes.
Como dizia acima, a
temperatura baixou, não muito, ainda está um calor agradável, o que perturba é
a garoa intermitente e, hoje ao pisar a calçada do Conjunto Nacional, percebi
que fiz bem em vir de jaqueta. A garoa lentamente batia no meu rosto numa
suavidade vaporosa, sem que eu a notasse.
Não sei como poderá
entender minhas palavras, espero que sejam as mais positivas, assim como não
sei o que pensa todos os transeuntes que por aqui passam no dia a dia
incessante. Ao descer do maçante ônibus fretado, no momento que meu pé direito
pisou a calçada do Conjunto, como sempre meu sentimento foi dos mais positivos
possíveis, algo que me leva a ter confiança nos gestos, no andar, a ter certeza
de que o dia será se, não o melhor, mas bom, que não haverá outras preocupações
além do corriqueiro.
Se me compreende não
sei. Não escrevo para que me compreenda, entende? Escrevo para que me leia,
isso é para mim o mais importante. No entanto tudo o que escrevo é
sincero e, se sinceridade é compreender, talvez me compreenda.
No sentir, debaixo
da sola do sapato a firmeza do calçamento, num virar a cabeça quase que
automático, reparei que os semáforos da avenida estavam descontrolados,
piscavam sem cessar. Dei de ombros. Não atravessaria naquele instante a
Paulista, meu destino foi atravessar a Rua Augusta, e pela calçada do Banco do
Brasil, descer em sentido os Jardins. Despreocupado, não reparei um táxi que
virou justo no momento em que eu estava no meio da rua. Estaquei de repente. O
táxi passou e pisei a calçada como se nada houvesse acontecido.
Empurrei a porta do
Delboni, retirei a senha e, me postei a espera de ser chamado. Nesses lugares é
que observamos como as pessoas às vezes carregam uma carga de excentricidade.
Eu mesmo ao ser anunciado no luminoso o número da minha senha, ao invés de ir
para mesa indicada, fui para outra, sendo ridiculamente obrigado a dizer:
- Desculpe.
Como sempre detesto
tirar sangue, apesar da afabilidade da enfermeira, virei o rosto para não ver a
picada, só de sentir a agulha perfurando a pele, o calafrio do medo me domina.
E como sempre, tudo correu bem. Ela tirou dois tubinhos de sangue e aplicou um
bandeide para não sangrar.
- Sabe que
isso dói mais que a agulha? – disse para a enfermeira.
- Deve doer mesmo.
Também, esse braço peludo! Quer levar um lenço umedecido?
- Não, obrigado,
estou brincando. Passe bem tenha um bom serviço.
- Obrigada, para
você também.
E, entre a caminhada
da Rua Augusta, atravessar a Paulista, subir, ligar o computador, resolvi
escrever para você. As pequenas histórias já tinham dado o seu recado. Deveria
mudar novamente. É mudando que crescemos, é mudando que renovamos, não é mesmo?
Pois é, abraço.
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