quarta-feira, 2 de março de 2022

Depois do almoço.

 Depois do almoço.


Tomado pela sonolência que o almoço provoca, tinjo-me de uma cor opaca, meio que cinzenta, talvez por causa do frio úmido riscando os espaços de formas e figuras indefesas lutando para sobreviver neste mar revolto da Avenida Paulista.

Palavras surgem à mente sem impor uma coerciva criatividade, sem conectar mentalmente no que escrevo, apenas cria-se uma demência para que elas, as palavras, sejam impressas na tela branca do monitor, como forma de expressão nada mais.

Surgindo em relâmpagos fugaz, uma ou outra palavra, escapa e se fixa aleatoriamente descarregando sua eletricidade aparentemente de conteúdo além da expectativa.

Os prevenidos sabem da escassez que há nessas palavras, mas os não prevenidos se embevecessem diante de uma grande pérola rara que deve ser eternamente admirada.

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