Gritei.
Gritei um grito ensurdecedor. Ninguém ouviu. Minha voz não foi suficiente para
ser ouvida? Precisava gritar novamente? Como não ouviram? Fizeram pouco caso do
meu desespero? Sabe que tudo pode ser. Não me preocupo. Nem deveria ao jogar
para dentro do bolso a chave que, ao bater no fundo revelou seu peso e forma em
contato com a coxa direita do meu corpo. Pensei novamente em gritar. Para que?
Para não ser escutado de novo? Assim, comprimindo os lábios implorei pelo concreto
fato da situação. Não foi planejado o resultado que logo em seguida se
desenrolou. O meu grito não foi ouvido, no entanto eu ouvi seu eco sendo
repetido infindáveis de vezes no abismo claustrofóbico do meu ser. Voltei para
o carro. Percorri quilômetros de terra vermelha na poeira do descampado.
Estacionei minha alma no reflexo do sol da manhã. Decidi nada fazer.
É
ou... não, é?
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