sábado, 26 de março de 2022

Diário de um sentir – Caderno número 9.777(2022)

    

            Gritei. Gritei um grito ensurdecedor. Ninguém ouviu. Minha voz não foi suficiente para ser ouvida? Precisava gritar novamente? Como não ouviram? Fizeram pouco caso do meu desespero? Sabe que tudo pode ser. Não me preocupo. Nem deveria ao jogar para dentro do bolso a chave que, ao bater no fundo revelou seu peso e forma em contato com a coxa direita do meu corpo. Pensei novamente em gritar. Para que? Para não ser escutado de novo? Assim, comprimindo os lábios implorei pelo concreto fato da situação. Não foi planejado o resultado que logo em seguida se desenrolou. O meu grito não foi ouvido, no entanto eu ouvi seu eco sendo repetido infindáveis de vezes no abismo claustrofóbico do meu ser. Voltei para o carro. Percorri quilômetros de terra vermelha na poeira do descampado. Estacionei minha alma no reflexo do sol da manhã. Decidi nada fazer.

            É ou... não, é?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...