Olhou para o longo texto pela segunda vez, enquanto o sol iluminava o semblante
das letras unindo-as numa só claridade. E pela segunda vez, desligando-se da
continuidade do pensamento, tomou chocolate quente.
Nada. Nada lhe aconteceu ao sorver o longo e gostoso
chocolate quente. O que lhe poderia acontecer? Nada, não é, a não ser as
possibilidades de rotina, as possibilidades que ele tinha para reverter todo o
processo desligando-se do dia-a-dia maçante.
Oito horas de ofuscante sol.
Oito horas de Liberdade presa a
obrigações depressivas.
Oito horas de Fraternidade aparente
acumulada nas paredes da carne individualista.
Oito horas de Igualdade sob o peso da
coleira da necessidade.
Assim, pisando e sendo pisado navegamos no navio da instabilidade segurando em
qualquer apoio no caso de naufrágio.
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