O cheiro de comida, forte por sinal, impregnava seu nariz, causando mal estar.
Aos poucos o cheiro não se fazia mais sentir. Embriagado pela perspectiva dos
acontecimentos, não só os que estavam acontecendo com ele naquele momento, como
a perspectiva do que viesse futuramente acontecer. Tudo fazia parte dos
esquemas das sextas-feiras. Passava o dia todo angustiado, cuja angustia
aumentava com a proximidade do término do expediente.
Cruzava com rostos que não lhe diziam nada e sorrisos dispersos como a vida
dispersa os seres a vários lugares.
Cada um tinha seu
grupo favorito onde, poderia exercitar a performance que quisesse. Não sendo
adepto do exibicionismo, se retraia. Não havia nele o brilhantismo que há em
pessoas favorecidas ao sucesso. Nele não havia essa vaidade, esse tipo que
deseja se projetar além dele próprio, financeiramente e profissionalmente.
Sabia que nessa pretensão de escrever e dizer o que lhe viesse à mente, o
tornava pária do próprio modo de viver. E esse saber é que o deixava depressivo
e angustiado. Talvez, o não saber fosse a melhor maneira de viver.
E quando dizia que caminhava para a morte, nada mais estava sendo realista.
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