Merda.
Hoje ao colocar água no filtro percebi que quebrei a vela. Pois é! Como
quebrei? Quando quebrei? Não sei. Não lembro. Soltei um berro de puta que
pariu. Quando foi a última vez que lavei o filtro? Será que foi nesse momento
que quebrei a vela? Se fosse teria notado, não é? E não percebi. Como não
percebi? Quebrei e coloquei a vela quebrada? Que dia foi? Ontem. Hoje. Semana
passada. Não sei. Não lembro. 0lho no espelho. Não me reconheço. Quem sou eu? O
cara que me olha não me responde. Forço a me lembrar quem sou eu. Forço a me
lembrar dos últimos eventos. Forço a me lembrar das últimas ações. Carallho!
Não lembro. Estou sentado no sofá. Como vim até aqui? Alguém me trouxe? Me
jogou no sofá? Não sei. Não quero pensar. Algo me diz que pensar é sinônimo de
vida. Ouço vozes. Não distingo o que dizem. Meu peito sobe e desce uma duas
três quatros vezes. Os olhos pesam. Fixo o olhar num ponto infinito. Meu viver.
Essa ponta do tecido da blusa tenho que virar dessa maneira. A mão de alguém
interrompe o que faço. Droga! Levanto-me. Preciso comprar outra vela para o
filtro. Não me deixam. Levam-me de volta e me jogam no sofá. Não quero ficar
aqui. Quem é você? Qual o seu nome? Não chore...
É isso ... ou, não é?
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