Nos lábios da folha arrastada pelo vento,
todas as manhãs, ele beirava o pequeno limite da razão confiante da sua
intelectualidade. Da janela fechada, reparava que as folhas resistiam contra a
força do vento. Algumas, como sabendo do seu teor de sobrevivência, eram
arrastadas para baixo de algum objeto que a protegesse. As fracas se deixavam
levar sem resistência, como se delas fossem o destino de serem o que são:
fracas. As submissas, arrastadas compulsivamente, se integravam ao ambiente em
que foram depositadas, submetendo-se aos vermes e detritos lentamente se
desintegrando ao solo tornando-se, assim, fertilizante.
Leu uma, duas, três, quatro vezes o que
escrevera.
Reconheceu. Finalmente ele era poeta.
Rasgou o monitor em mil pedaços e jogou na cesta de lixo os fragmentos da sua vida.
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