sexta-feira, 29 de julho de 2022

Fragmentos.


Nos lábios da folha arrastada pelo vento, todas as manhãs, ele beirava o pequeno limite da razão confiante da sua intelectualidade. Da janela fechada, reparava que as folhas resistiam contra a força do vento. Algumas, como sabendo do seu teor de sobrevivência, eram arrastadas para baixo de algum objeto que a protegesse. As fracas se deixavam levar sem resistência, como se delas fossem o destino de serem o que são: fracas. As submissas, arrastadas compulsivamente, se integravam ao ambiente em que foram depositadas, submetendo-se aos vermes e detritos lentamente se desintegrando ao solo tornando-se, assim, fertilizante.

Leu uma, duas, três, quatro vezes o que escrevera.

Reconheceu. Finalmente ele era poeta.

Rasgou o monitor em mil pedaços e jogou na cesta de lixo os fragmentos da sua vida.

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