quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Diário de um sentir – Caderno número 9.800(2022)

                                

Coçou a virilha. Não tinha pudor. Não importava onde estivesse. Com quem estivesse. Se tinha que fazer, fazia. E mais uma vez fez. Coçou a virilha despudoramente. Procurou não olhar, verificou que não podia deixar de notar o constrangimento nos rostos dos imbecis moralistas. Não sentiu desconforto. Nem aborrecimento. Sorriu com o sorriso de pouco caso. Nisso surgiu do meio da multidão o cano da arma. Não se sobressaltou. Não se descontrolou. Manteve-se firme. Apenas se surpreendeu por ser ela. Numa idiotice heroica, postou-se bem à frente do cano. Olhou o pequeno objeto metálico. Depois para a mão que segurava. Fixou o olhar nos olhos escuros que o olhava. Esperou pelo clique que não houve. Deu as costas. Saiu andando devagar e devagar escutou o clique seguido pelo baque da bala entrando no corpo. Lentamente se virou. Esticou o braço. Abriu a boca para falar. Pendeu para a frente caindo, rolando para o chão de terra batida. Estava morto.

É isso... ou, não é?

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