Coçou a
virilha. Não tinha pudor. Não importava onde estivesse. Com quem estivesse. Se
tinha que fazer, fazia. E mais uma vez fez. Coçou a virilha despudoramente.
Procurou não olhar, verificou que não podia deixar de notar o constrangimento
nos rostos dos imbecis moralistas. Não sentiu desconforto. Nem aborrecimento.
Sorriu com o sorriso de pouco caso. Nisso surgiu do meio da multidão o cano da
arma. Não se sobressaltou. Não se descontrolou. Manteve-se firme. Apenas se
surpreendeu por ser ela. Numa idiotice heroica, postou-se bem à frente do cano.
Olhou o pequeno objeto metálico. Depois para a mão que segurava. Fixou o olhar
nos olhos escuros que o olhava. Esperou pelo clique que não houve. Deu as
costas. Saiu andando devagar e devagar escutou o clique seguido pelo baque da
bala entrando no corpo. Lentamente se virou. Esticou o braço. Abriu a boca para
falar. Pendeu para a frente caindo, rolando para o chão de terra batida. Estava
morto.
É isso...
ou, não é?
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