sábado, 3 de setembro de 2022

Diário de um sentir – Caderno número 9.800(2022)

                            

Estava novamente entre duas decisões: aceitar ou não. A princípio grosseiramente disse não, não aceito, não devo, não quero, entoou numa voz dura, áspera. Na segunda vez, a mesma coisa, na terceira vez, também a mesma coisa, na quarta vez repetiu a negação, na vigésima quarta vez a voz não estava durona. Desde a primeira até a vigésima quarta vez, tivera momentos indecisos, por fim acabou aceitando. E com isso seguiu em frente. Seguiu sem demonstrar curiosidade. Sem perguntas. Isso passou a acontecer sempre. Todas as noites. E todas as noites entrava num sentimento desconhecido impossibilitando a ter novas sensações. O que lhe provocava desconforto. No entanto uma noite aconteceu algo inusitado. Não se deixou se transtornar. Apenas o deixou atento e atento ficava todas as noites. Entrou, também no estado de cuidadoso. Dessa maneira permaneceu por várias noites. Até que, por descuido, sem notar as circunstâncias, já não se encontrava sozinho. Tinha mais alguém ali com ele. Devagar girou a cabeça. Não viu nada. No entanto, sentiu o intruso com ele. As luzes acessas provocava medo maior do que se estivesse no escuro. Será que no escuro não terei medo? Perguntou sem obter resposta. Não ousou apagar as luzes, não houve tempo de colocar em ação o pensamento. Pois, ouviu passos na escada. Olhando para cima, viu o intruso. Homem alto, corpo largo, testa franzida, sorriso de escarnio nos lábios, portava uma longa cimitarra. Começou a suar. Cada passo que o intruso dava em sua direção, ele dava dois para traz. O intruso já estava no último degrau quando tropeçou no banquinho derrubando-o ao chão. Merda, gritou. Rapidamente levantou-se. Surpreso se viu em seu quarto. Suspirou aliviado. Fora um sonho. Passou a mão pelos cabelos. Sentiu sede. E ao abrir a porta deparou com o intruso segurando a longa cimitarra.

É isso... ou, não é?

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