Estava
novamente entre duas decisões: aceitar ou não. A princípio grosseiramente disse
não, não aceito, não devo, não quero, entoou numa voz dura, áspera. Na segunda
vez, a mesma coisa, na terceira vez, também a mesma coisa, na quarta vez
repetiu a negação, na vigésima quarta vez a voz não estava durona. Desde a
primeira até a vigésima quarta vez, tivera momentos indecisos, por fim acabou
aceitando. E com isso seguiu em frente. Seguiu sem demonstrar curiosidade. Sem
perguntas. Isso passou a acontecer sempre. Todas as noites. E todas as noites
entrava num sentimento desconhecido impossibilitando a ter novas sensações. O
que lhe provocava desconforto. No entanto uma noite aconteceu algo inusitado.
Não se deixou se transtornar. Apenas o deixou atento e atento ficava todas as
noites. Entrou, também no estado de cuidadoso. Dessa maneira permaneceu por várias
noites. Até que, por descuido, sem notar as circunstâncias, já não se
encontrava sozinho. Tinha mais alguém ali com ele. Devagar girou a cabeça. Não
viu nada. No entanto, sentiu o intruso com ele. As luzes acessas provocava medo
maior do que se estivesse no escuro. Será que no escuro não terei medo?
Perguntou sem obter resposta. Não ousou apagar as luzes, não houve tempo de
colocar em ação o pensamento. Pois, ouviu passos na escada. Olhando para cima,
viu o intruso. Homem alto, corpo largo, testa franzida, sorriso de escarnio nos
lábios, portava uma longa cimitarra. Começou a suar. Cada passo que o intruso
dava em sua direção, ele dava dois para traz. O intruso já estava no último
degrau quando tropeçou no banquinho derrubando-o ao chão. Merda, gritou. Rapidamente
levantou-se. Surpreso se viu em seu quarto. Suspirou aliviado. Fora um sonho.
Passou a mão pelos cabelos. Sentiu sede. E ao abrir a porta deparou com o
intruso segurando a longa cimitarra.
É isso...
ou, não é?
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