Segurava
com as duas mãos acima da mesa, na altura dos olhos, o celular. Compenetrada
prestava atenção nas figuras que rolavam pela telinha. Fissurada não prestava
atenção ao que ocorria a sua volta. Muito menos nos barulhos de flauta, de
oboé, de trompete, do piano, nem nas vozes que formavam o coral a entoar
músicas em tom alto. O vai e vem de pessoas, crianças, senhoras, senhores,
também não prestavam a atenção a ela. Sentada a mesa de tampo claro, o sol
batendo as suas costas, volta e meia lançava a meia voz um: droga! E repetia:
droga! Depois voltava a atenção ao que se passava na telinha. Assim, passou as
quatro horas que tinha que passar. Sem canseira. Sem interrupção. Quando estava
para chegar as cinco horas, ouviu-se um estrondo, as luzes se apagaram e ao
mesmo tempo voltaram. E onde estava a menina segurando com as duas mãos, acima
da mesa de tampo claro, na altura dos olhos o celular, estava apenas o celular
na mesa de tampo claro. Ninguém viu porque ninguém prestava a atenção nela, uma
menina apavorada, talvez gritando por socorro na tela pequena do celular que
estava em cima da mesa de tampo claro.
É isso... ou, não é?
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