A menina que roubava livro permanece quieta na poltrona ao lado. Interrompeu a
leitura por não estar se emocionando com a história da menina vivendo com pais
de criação e, que para aprender a ler, roubava livros. Preferia olhar a
paisagem rolando além da janela do ônibus. Observar os carros que passam com
seus ocupantes preocupados ou não com a vida, o que cada um deles pudesse estar
imaginando, pensando, as histórias que não podia ler e, que talvez, quem sabe,
viesse um dia escrever, era mais interessante do que a menina ladrona. Os
ônibus transportando corpos cansados do sono mal aproveitados. O que passaria
pela mente de cada pessoa? Como seria a historias deles? Os prédios cada
um com sua trajetória de vida, margeando a radial com seus mistérios
arquitetônicos, com a aparência de abandonados compondo a instantânea vida! O
que estaria acontecendo em cada janela fechada, meio aberta ou totalmente
aberta? O que aconteceria naquele instante?
Tudo isso ele olha pela janela do fretado que corre vencendo a correnteza do transito cumprindo o seu destino. Levando passageiros para cumprirem o destino de cada um. Ele olha pela janela a sujeira dos mendigos dormindo embaixo dos viadutos, sob as marquises das estações, ou mesmo, na calçada sem ter outra coisa para cobrir-se a não serem os encardidos trapos. Ele empunha o celular e dispara a câmera registrando uma São Paulo que ninguém vê.
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