A
manhã trouxe uma temperatura baixa e uma garoa infernal queimando a pele da
insatisfação que, sabia, se prolongaria o dia inteiro.
Chato,
mais um dia chato que se percebia no ar a incongruência fatídica, a qual, seria
obrigado aguentar.
Sorriu levemente
perguntando-se: porque sorrir quando não tinha nada para dizer?
Seria demonstração de incompetência
literária injetando sofríveis palavras que possam, na aparência, dar uma
sonoridade mais profunda?
Não,
não era, sentia dificuldade em enfrentar o branco vazio da mente encarcerado no
branco vazio da vida revelando a falta de vocabulário.
Necessário
seguir o script que lhe foi destinado, não podia refazer reescrever o que os
deuses, se é que existem, escreveram no papel da sua vida.
Visualizou no espaço das
palavras a surrealidade que o deixou intrigado sem saber o que deveria ser
realmente.
Foi
então, ao virar a cabeça por causa de algo que lhe chamara a atenção, é que
atinou com o fato de estar no lugar errado, que deveria era estar em outro
lugar.
Mas, perguntou: como vou saber
onde devo estar para que desse estar posso, de alguma maneira, tirar uma
substância valida comprovando assim a necessidade de viver sem ser por viver?
Ouviu
a resposta: é só simplesmente estar no lugar certo e na hora certa.
E
como poderia saber quando é essa hora certa e o lugar certo?
Sua
capacidade intelectual e, mesmo a capacidade fisicamente falando, não lhe dava
a certeza correta do que seria a hora e o lugar certo!
Talvez, já tenha até passado e
ele não tenha percebido.
Sua
visão não alcançava além do limite que a vida havia lhe proposto.
Isto
é, tinha limitações para visualizar o infinito além do que seu conhecimento lhe
permitia.
Fechou os olhos pensando em
dormir.
Porém, o raio do sol
atravessou a janela emoldurando-o no quadrilátero de luz, símbolo de
conhecimento e sabedoria.
Caberia
a ele se livrar do tormento de viver só por viver.
Fechou
o caderno, apagou a luz, se enrolou nos cobertores e, dormiu profundamente até
o dia seguinte.
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