Bom dia catorze de maio de dois mil e oito. Faz um tempo que não começo
os bons dias com um gostoso e sonoro bom dia, não é? E hoje dia catorze, não é
data comemorativa pelo o que eu sei, mas é véspera do dia quinze, dia do
adiantamento, do vale, de pagar contas.
Ontem, dia treze, além de ser Dia da Abolição da Escravatura, foi
também, o Dia do Automóvel. É o que consta numa agenda de dois mil e sete que
encontrei no fundo da gaveta. E no rodapé da página está escrito:
“Da soberba só provém à contenda, mas com os que se aconselham se acha a
sabedoria.” – Provérbios, capitulo 13, versículo 10.
Quem foi o primeiro a dizer: hoje é dia disso ou daquilo? Se fosse
possível descobrir, não o mataria, pois já está morto, mas acho que jogaria uma
maldição no dito cujo, não é por nada não, é que com esse: hoje é dia de tal
coisa, tornou-se uma praga. Quase todos os dias é dia de alguma coisa. Umas
mais esdrúxulas que a outra. Há dia para tudo. Concordo marcar o dia para um
fato importante, que aconteceu, para que não se perca na memória dos esquecidos
que só lembram de futilidade do dia-a-dia com suas sacanagens industriais,
morais e sexuais, é válido.
Dia do automóvel! Precisa de um dia para se comemorar essa praga que só
polui o ar? Reparou que tudo que era um luxo no passado hoje é necessário? O
automóvel deixou de ser um luxo para ser um lixo necessário, e o pior, caro.
Sempre conduzido por um desastrado que, quando não atropela e mata, se enrosca
em escadaria, e outras barbaridades incríveis. Não sou um apaixonado pelo
automóvel. E nunca serei.
Catorze de maio de dois mil e sete foi segunda-feira. Logicamente estava
trabalhando. O que teria eu escrito nesse dia? Qual seria o foco do meu bom
dia? Como eu estava psicologicamente, animado depressivo ou animado
antidepressivo? Não sei, quisera ter a mente brilhante e lembrar o que foi sem
me preocupar com o que será. O que teria acontecido de importante nesse dia de
catorze de maio de dois mil e sete? É preciso consultar os jornais, revistas
para saber. Não tenho necessidade, mas seria curioso conhecer os
acontecimentos, principalmente importantes.
Talvez eu estivesse perambulando nos intricados caminhos da descoberta
que em você me encontrei. Quem sabe tenhamos cruzados nossos passos libertando
a paixão aprisionada no labirinto do dia-a-dia. Acredito que tudo tenha sido
assim, e assim, vamos caminhando registrando nossos corpos no astral lógico da
existência sincera que há em nossos sorrisos.
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