“Os homens do campo são ótimos
trabalhadores, mas sofrem crises de desânimo quando não trabalham em sua
própria terra.” – Cornélio Pires.
Dezesseis de maio, dia do
Gari, dia da Margarida como são chamadas as mulheres que no dia-a-dia, às vezes
sob um sol clemente, varrem as principais ruas da cidade, varrem as sujeiras
dos porcos que não tem conscientização de limpeza nem de higiene.
Dezesseis, sexta-feira, mais
uma sexta para a alegria dos apressados que vivem antecipadamente.
Dezesseis sexta-feira de
impaciência crônica resvalando para o suicídio intelectual da palavra onde o
silencio imobiliza os passos.
Dezesseis sexta-feira que de
normal tem seus intricados meandros revelando, no ato de cada um, o mistério a
quem possa interessar.
Dezesseis, sexta-feira de fome
a correr o desejo perdido em infrutíferas procura pelos bares imundos de falas
que se masturbam nos cantos da solidão.
Dezesseis, sexta-feira em que
sua ausência se faz presente na minha agenda sem compromissos por cruzar outros
caminhos não mais paralelos aos meus.
Dezesseis, sexta-feira, é
sexta-feira o que me diz nesse esplendor luminoso do meio dia?
Dezesseis, sexta-feira não há
nada para me dizer, eu é que tenho de captar sua fragrância cósmica e traduzir
conforme os sentimentos que me conduzem.
Dezesseis, sexta-feira, minha
sexta-feira caminharei entre os bares até o amanhecer do sábado para na segunda
recomeçar toda a minha caminhada.
Dezesseis, sexta-feira única
revitalizando meus sentimentos para construir o alicerce literário da minha
obra.
Dezesseis, sexta-feira que
venha sempre, nunca me falte com sua presença, minha adorada sexta-feira.
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