quarta-feira, 8 de março de 2023

Pequenas histórias 139

 

Queria escrever como os profissionais. Escrever sem parar, sem pensar muito no que deve ou deveria escrever. Ir colocando no papel da telinha branca, tudo o que a mente alucinógena fosse mandando os dedos escreverem. Mas um escrever leve e ao mesmo tempo profundo, que fizesse com que o leitor entrasse nas palavras e dela não saíssem mais. Que delas tirassem a essência dos passos na calçada podre da humanidade sem destino. Alguns pensam que há em seus passos, em seus caminhos um destino para se chegar. Qual o que? Estão totalmente iludidos em profetas fajutos que pensam somente no dinheiro que possam arrancar dos fieis. Iludidos não distinguem mais o positivo dos atos fabricados especialmente para iludi-los. Fracos, sem apoio caem na armadilha e se entregam totalmente perdendo, sem saberem, além das calças, a alma. Queria escrever sonoro como sonoro é a vida suave deslizando na calçada da compreensão, na calçada onde reina o amor retribuído, mesmo que seja um amor pequeno, um amor comprado, mas retribuído se torna esplendido. Como a fragrância de um sorriso ingênuo sem saber o que lhe passa, ou mesmo, um sorriso safado, mais gostoso, mais prazeroso levando-o ao extremo de sentir a si mesmo. Um sorriso franco, fiel, sincero na integridade de se doar ao mesmo tempo receber. Um sorriso que ilumina as sombras enchendo de luz o coração afetuoso.  Ele queria escrever ao mesmo não escrever pois, sente-se preso ao fatalismo de ser ele próprio encalacrado em seus sofismas e fantasmas tímidos que não lhe dão a liberdade necessária. Teimoso escreve e, continuara a escrever queira ou não queira, continuara sim, nas sombras das palavras é que esta toda a sua esperança de beijar a felicidade de ser ele mesmo. Ele viverá, sabe disso, viverá toda a eternidade que lhe é necessária viver, até que a ultima pedra seja colocada no edifício intelectual do seu saber. Ele viverá, sabe disso, viverá enquanto houver um sorriso a iluminar o mundo...

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