Silvio e Silvia 1
Decidida espetou a suculenta carne sangrando vermelho por ser mal passada.
Detestava principalmente picanha, carne bem passada. E aquela estava no ponto
desejado. Espetou a picanha – costumava dizer: a pica da Ana – cortou um naco e
delicadamente, como consiste a uma mulher fazer, levou a boca, mastigando
lentamente para saborear todo o gosto das fibras sanguíneas da carne.
Em seguida, saboreou a caipirinha como gostava que fosse feita, deliciou-se
lambendo cada gota. Ao mesmo tempo perguntou-se, quer dizer, não foi bem uma
perguntada, foi mais uma afirmação, ainda encontrará o homem que me fará feliz,
um que me queira realmente.
Encheu o copo de cerveja, tomou um longo gole. Estava se tornando alcoólatra,
lhe disseram uma vez. Não estava não. Gostava de sentir todo o prazer etílico
que lhe era proporcionada, e além do mais, se estava ou não se tornando
alcoólatra ninguém tinha nada com isso. Bebia sim, a bebida fazia sentir o
mundo com mais intensidade, com mais realidade, com mais sonoridade.
Mas precisava urgentemente encontrar um homem que a queira. Não tem o Silvio
que lhe quer bem, perguntou ao tomar o segundo copo de cerveja. Sim, tem o
Silvio, sim tem ele. Acontece que não estou apaixonada por ele. É uma boa
pessoa, alegre, bonito, apesar de sua magreza. Tinha ele sim, até se sentia
satisfeita com ele. Ao pedir a conta e mais uma cerveja foi que o viu, lembrou
dentro da noite onde procurava de uma maneira, não certa para muitas moças como
ela deviam achar, eliminar o vazio da carne. Sim, gostava de vez em quando
sair, andar a esmo pela cidade, disse ao Silvio. Estranhou que uma moça bonita
como ela tinha como simples prazer andar no vazio da noite como ele tinha
prazer de conhecer gente nova.
Sorriu, ela tinha um sorriso atraente, lhe
dissera. Então, aquela noite não podia esquecer quando Silvio entrou, sem mais
e sem menos, sentou ao lado dela perguntando o seu nome. Silvia, respondeu e
ofereceu a ele um copo de cerveja. Assim que pronunciou seu nome, ele foi
atacado por uma gargalha que foi difícil controlar. Ela quis saber por que ria
desbragadamente. Com muito custo, reprimindo o ar que teimava em sair pela
garganta, respondeu, prazer, meu nome é Silvio. O que? Não acredito, somos
xarás, foi à vez de ela rir descontroladamente.
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