quarta-feira, 19 de julho de 2023

Não


 não tenho 

Nada a dizer

Não hoje

Que o sol

De silicone

Explode seios

Por toda

A cidade

 

Não, não tenho

Nada a dizer

Talvez amanhã

Quando o cotovelo

Duro e seco raspe

O pulôver peludo

Do michê

Nas esquinas

 

Não, não tenho

Nada a dizer

Quando a apresentação

Do político

Transforma-se

Em farsa encoberto

Por dizeres enganosos

 

Não, não tenho

Nada a dizer

Aos meninos

Da fome

Nos faróis escalando

Com suas peripécias

Uns poucos trocados

Para o sustento

Da vida

 

Não, não tenho

Nada a dizer

Aos mandões

Das guerras

Que decidem destinos

Enclausurando

Em torres

De cristais

Quando inocentes

Morrem por acreditar

Na paz

 

Não, não tenho

Nada a dizer

Ao ver o mar

De plástico

Matando peixes

Baleias e tartarugas

Na praia dos homens

Que se dizem

Civilizados

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