não tenho
Nada a dizer
Não hoje
Que o sol
De silicone
Explode seios
Por toda
A cidade
Não, não tenho
Nada a dizer
Talvez amanhã
Quando o cotovelo
Duro e seco raspe
O pulôver peludo
Do michê
Nas esquinas
Não, não tenho
Nada a dizer
Quando a apresentação
Do político
Transforma-se
Em farsa encoberto
Por dizeres enganosos
Não, não tenho
Nada a dizer
Aos meninos
Da fome
Nos faróis escalando
Com suas peripécias
Uns poucos trocados
Para o sustento
Da vida
Não, não tenho
Nada a dizer
Aos mandões
Das guerras
Que decidem destinos
Enclausurando
Em torres
De cristais
Quando inocentes
Morrem por acreditar
Na paz
Não, não tenho
Nada a dizer
Ao ver o mar
De plástico
Matando peixes
Baleias e tartarugas
Na praia dos homens
Que se dizem
Civilizados
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