quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Tribunal

 O ocorrido foi em 2000.


O réu: morador de rua, 29 anos, amasiado com uma moradora de rua, tendo com ela duas filhas, engraxate, carroceiro, vivia embriagado a maior parte do dia, ele e o amigo, quase sempre juntos, às vezes passava uns tempos na casa da mãe.

Sua versão: o amigo chegou um dia dizendo que queria furar um, estava com uma faca tipo serra na mão, e foi para cima dele, dizendo: vou furar um hoje, o réu para se defender, tirou a faca da mão do amigo, mesmo assim continuo sendo agredido, pegou um facão que estava no chão da casa abandonada em que eles passavam a maior parte do tempo, e desferiu vários golpes no amigo, atingindo-o na cabeça, no braço, no peito. Vendo o amigo caído, jogou o facão no chão e foi embora. O amigo foi atendido logo, porque uns meninos o encontraram e chamaram a polícia. O réu estava preso fazia seis meses, portando fora preso esse ano. Isso porque ele foi ao Poupa Tempo retirar um documento e foi preso lá. E ele só estava preso porque confessou o crime. Depois que o amigo saiu do hospital, foi na casa dele onde conversaram se perdoando um ao outro durante um almoço.

Um detalhe: nesse dia estavam os dois, ele e o amigo, super embriagados.
A versão da vítima: a vítima chegando ao local viu um desconhecido mexendo nas suas coisas, foi para cima do intruso que estava roubando-o. Embriagado o desconhecido facilmente lhe tomou a faca tipo serra da mão passando a golpeá-lo com um facão. Depois disso não se lembra de mais nada. Foi acordar no hospital onde, por causa da interrupção instantânea do álcool, teve delírios trêmulos várias vezes. Saindo do hospital fora procurar o amigo, sabendo por ele o que ocorrera e, prometendo ao réu, retirar a queixa. A vítima só foi ouvida em dois mil e um. Tempo depois veio a falecer atropelado por um ônibus, por estar totalmente embriagado.
Os advogados: os advogados da acusação, como tanto o da defesa, não tiveram muito trabalho. O da acusação assim mesmo fez uma bela preleção social levantando a bola da justiça, pois só ela é que dava assistência a pessoas como a que estava naquele momento sendo julgado. Falou bem, não bonito. No final entendia que o caso não tinha muito que pretender e, esperava que a justiça condenasse o réu pelo tempo de um a cinco anos. O réu sendo primário poderia ainda ter a regalia que a lei estipulava.

O advogado de defesa também viu que aquele caso era simples demais, portanto se apegou na falta de provas, pois nem testemunha tinha porque ninguém viu o que ocorrera, os depoimentos que constavam do processo, eram apenas dos policiais e dos enfermeiros. Pedia a inocência pelo fato do réu ser primário e pela dúvida que havia do que realmente ocorrerá, pois estando os dois totalmente bêbados, não se podia confiar nos depoimentos deles.

Finalizando: o réu deveria cumprir pena de um ano de prisão liberdade.

Enquanto ouvia os advogados, pensava: isso daria um belo conto.

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