O ocorrido foi em 2000.
O réu: morador de rua, 29 anos, amasiado com uma moradora de rua, tendo com ela
duas filhas, engraxate, carroceiro, vivia embriagado a maior parte do dia, ele
e o amigo, quase sempre juntos, às vezes passava uns tempos na casa da mãe.
Sua versão: o amigo chegou um dia
dizendo que queria furar um, estava com uma faca tipo serra na mão, e foi para
cima dele, dizendo: vou furar um hoje, o réu para se defender, tirou a faca da
mão do amigo, mesmo assim continuo sendo agredido, pegou um facão que estava no
chão da casa abandonada em que eles passavam a maior parte do tempo, e desferiu
vários golpes no amigo, atingindo-o na cabeça, no braço, no peito. Vendo o
amigo caído, jogou o facão no chão e foi embora. O amigo foi atendido logo,
porque uns meninos o encontraram e chamaram a polícia. O réu estava preso fazia
seis meses, portando fora preso esse ano. Isso porque ele foi ao Poupa Tempo
retirar um documento e foi preso lá. E ele só estava preso porque confessou o
crime. Depois que o amigo saiu do hospital, foi na casa dele onde conversaram
se perdoando um ao outro durante um almoço.
Um detalhe: nesse dia estavam os
dois, ele e o amigo, super embriagados.
A versão da vítima: a vítima chegando ao local viu um desconhecido mexendo nas
suas coisas, foi para cima do intruso que estava roubando-o. Embriagado o
desconhecido facilmente lhe tomou a faca tipo serra da mão passando a golpeá-lo
com um facão. Depois disso não se lembra de mais nada. Foi acordar no hospital
onde, por causa da interrupção instantânea do álcool, teve delírios trêmulos
várias vezes. Saindo do hospital fora procurar o amigo, sabendo por ele o que
ocorrera e, prometendo ao réu, retirar a queixa. A vítima só foi ouvida em dois
mil e um. Tempo depois veio a falecer atropelado por um ônibus, por estar totalmente
embriagado.
Os advogados: os advogados da acusação, como tanto o da defesa, não tiveram
muito trabalho. O da acusação assim mesmo fez uma bela preleção social
levantando a bola da justiça, pois só ela é que dava assistência a pessoas como
a que estava naquele momento sendo julgado. Falou bem, não bonito. No final
entendia que o caso não tinha muito que pretender e, esperava que a justiça
condenasse o réu pelo tempo de um a cinco anos. O réu sendo primário poderia
ainda ter a regalia que a lei estipulava.
O advogado de defesa também viu
que aquele caso era simples demais, portanto se apegou na falta de provas, pois
nem testemunha tinha porque ninguém viu o que ocorrera, os depoimentos que
constavam do processo, eram apenas dos policiais e dos enfermeiros. Pedia a
inocência pelo fato do réu ser primário e pela dúvida que havia do que
realmente ocorrerá, pois estando os dois totalmente bêbados, não se podia
confiar nos depoimentos deles.
Finalizando: o réu deveria
cumprir pena de um ano de prisão liberdade.
Enquanto ouvia os advogados,
pensava: isso daria um belo conto.
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