O sentimento tritura os átomos do corpo que, aos poucos, se desintegra no parapeito da janela caótica da vida. Corre perigo de ficar parado no meio do mundo esquecido dos passos que já foram pressionados na calçada da angústia e dos passos que ainda há para serem pressionados na calçada da dúvida.
Em seu semblante não há desespero, pois sabe que desespero
não vai lhe adiantar nada, apenas será arrastado cada vez mais ao abismo que
todo esse tempo vem fugindo, por isso em sua face está estampada a cor do
mármore, branco e frio.
Raramente sorri, e quando sorri é escondido, afastado
da alegria de simplesmente não se envolver em emoções que, exposta a vista de
olhares estranhos, não lhe dizem respeito.
O dia ainda frio, apesar de ser primavera, não
corresponde ao que deveria ser o que lhe vai ao peito. Mesmo assim, trôpego,
conduz os passos em ritmo cadenciado para que a dor nas costas seja suportável.
Sabe que carrega o destino na ponta dos dedos ao
escrever palavras que, muitos lhe perguntarão, o que ele quis dizer.
Não se importa com perguntas, o que importa é escrever, talvez, incidentalmente o que lhe veem a mente como se estivesse dialogando com o leitor e este estivesse lhe respondendo.
Assim, escreve o seu dia a dia infernal.
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