O boi cobriu a égua naquela tarde verdejante onde o vento ameno dobrava as folhas de capim docemente.
A égua não relinchou apavorada com a audácia do boi, não, e não deveria se apavorar, pois o cavalo poderia acabar com a festa.
Mesmo assim, com o silêncio contido nas entranhas da égua, o cavalo percebeu, melhor dizendo, viu o boi em cima de sua égua preferida e tomou uma decisão levando em conta que não lhe ficaria bem um par de chifres, afinal ele é um eqüino consciente de sua raça.
Portanto tomou uma decisão: enfrentaria o boi num duelo de chifres e coices até que o derrotado caísse morto no capim onde o vento dobrava suavemente as folhas.
Assim foi, tanto o cavalo como o boi se preparam para o sangrento duelo, tendo a vitima, a égua, como única assistente pouco se importando quem saísse vencedor.
Pois o que lhe importava era o que trazia dentro de si: o fruto do ato ilícito que deveria por todos os meios proteger e criar.
Sem se preocupar, encaminhou-se para o pasto com a intenção de se alimentar, pouco se lixando com a decepção dos lutadores que, se olharam desaprovando a atitude da égua.
E naquela tarde verdejante onde o vento ameno dobrava as folhas do capim docemente, o boi e o cavalo, ficou cada um a uma distância para um duelo de vida e morte.
O boi fungando escavava o solo com a pata dianteira esquerda.
O cavalo relinchando, sacudindo a crina, levantava as patas dianteiras e batendo no chão num barulho raivoso.
Nisso, os dois animais começaram a correr indo de encontro ao outro.
Quando já estavam quase para se encontrarem, num movimento rápido, o cavalo se jogou ao chão com as quatro patas esticadas acertando as pernas do boi.
Desprevenido, sem saber qual seria o movimento do cavalo, o boi não teve tempo de reação, sentiu os cascos baterem em suas pernas.
O boi foi de focinho enterrando os chifres no chão, seu corpo ficou na horizontal com as patas balançando.
Em seguida ouviu-se um estalo doloroso e o corpo do boi dobrou para a direita morto.
O cavalo garboso, levantou-se sacudindo o corpo, relinchou vitoriosamente, se aproximou da égua adultera e, a cobriu mostrando que quem mandava nela era ele.
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