Atravessaram a rua e pararam na pequena ilha.
Ele deu um beijo longo ao qual
ela retribui e entregou a ele uma garrafa de plástico cheia de água.
Ela, após o beijo, tomou o
sentido contrário em passos rápidos.
Ele voltou atravessar a rua na
transversal ao mesmo tempo em que esvaziava a garrafa de plástico.
A água chocando-se com o asfalto
esturricado de sol logo se evaporou em fumaça que, por sua vez, se desintegrou
no espaço quente da cidade.
Passando perto de uma lixeira,
sem culpa de estar simplesmente projetando um gesto, jogou a garrafa vazia de plástico
que se chocou com os detritos num som chocho de vida inerte permanecendo ali
para o todo o sempre.
Do outro lado da rua, o escritor
na sua busca de inspiração, virou no copo a cerveja gelada e, registrou no seu
caderno de notas a pequena cena que intitulou: O AMOR
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