segunda-feira, 11 de março de 2024

Ela e o celular.

 

Ela retirou o celular da bolsa, abriu o flap e começou a mexer no seu teclado com uma ligeireza imprescindível.  No ouvido os fones por onde os fios desciam roçando seu colo rechonchudo realçando uns seios fartos. A alça da mochila na transversal pressionava sua carne entre os seios o qual, parecia não incomodar. Enquanto suas mãos, ou melhor, sua mão direita mexia no celular a outra agarrava com firmeza o ferro bem perto da minha mão, por uns milímetros a minha não tocava a dela. O formigamento na ponta dos dedos atiçava para que eu tocasse naquela mão sensual. Ela ficou assim por uns bons momentos. Depois, dando por finalizado sua operação com o celular, fechou o flap, e guardou. Retirou a mão que estava perto da minha e se dependurou na barra de ferro, encostou ou deitou a cabeça no braço esquerdo, começou a dançar e cantar a música que estava ouvindo. Não tirei os olhos dela, vendo-a no seu remelexo interpretativo pouco ligando onde estava. Ah! Durante todo esse tempo conversava com a amiga ao seu lado. Faltou pouco para que eu apontasse para os dois fones de ouvido enterrado em sua orelha e, depois apontasse para os dois aparelhos enfiados em meu ouvido. Mas não adiantaria em nada, talvez ela desse de ombros, poderia pensar: o azar é seu coroa, pois como todos os jovens – alguns, nem todos, mas uma grande parte deles – não pensa no futuro, no que poderá lhes acontecer quando não forem mais jovens. Eles que estão certo o que importa é o agora, o momento, o depois a gente enfrenta o problema, não é?

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