Ela retirou o celular da bolsa,
abriu o flap e começou a mexer no seu teclado com uma ligeireza imprescindível. No ouvido os fones por onde os fios desciam
roçando seu colo rechonchudo realçando uns seios fartos. A alça da mochila na
transversal pressionava sua carne entre os seios o qual, parecia não incomodar.
Enquanto suas mãos, ou melhor, sua mão direita mexia no celular a outra
agarrava com firmeza o ferro bem perto da minha mão, por uns milímetros a minha
não tocava a dela. O formigamento na ponta dos dedos atiçava para que eu
tocasse naquela mão sensual. Ela ficou assim por uns bons momentos. Depois, dando
por finalizado sua operação com o celular, fechou o flap, e guardou. Retirou a
mão que estava perto da minha e se dependurou na barra de ferro, encostou ou
deitou a cabeça no braço esquerdo, começou a dançar e cantar a música que
estava ouvindo. Não tirei os olhos dela, vendo-a no seu remelexo interpretativo
pouco ligando onde estava. Ah! Durante todo esse tempo conversava com a amiga
ao seu lado. Faltou pouco para que eu apontasse para os dois fones de ouvido
enterrado em sua orelha e, depois apontasse para os dois aparelhos enfiados em
meu ouvido. Mas não adiantaria em nada, talvez ela desse de ombros, poderia
pensar: o azar é seu coroa, pois como todos os jovens – alguns, nem todos, mas
uma grande parte deles – não pensa no futuro, no que poderá lhes acontecer
quando não forem mais jovens. Eles que estão certo o que importa é o agora, o
momento, o depois a gente enfrenta o problema, não é?
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