Venho tentando escrever o que me ocorreu outro dia, propriamente num sábado. Mas escritor e poeta medíocre que sou não consigo colocar no papel ou nessa telinha hipnótica o ocorrido. Se fosse um Sabino, um Cony, um Fonseca, garanto que teria rendido uma boa crônica. Na minha mente o fato parece consistente, forte, mas quando pressiono as pretas teclas do computador, a coisa se deliu na bruma das palavras, elas batem no rochedo e se despedaçam em vários segmentos de desânimo. Qual será o segredo dos cronistas, dos contistas, de conseguirem laçar as palavras colocando-as umas ao lado das outras e darem consistência ao que escrevem? Não sei. Se soubesse garanto que estaria alçando as honrarias que a literatura possa me oferecer. Quem sabe o Nobel? Contentar-me-ia com o Jabuti, já estava bom.
Fato corriqueiro, simples, até inusitado que comprovaria meu sucesso de escritor avoado. Mas como aprisionar as palavras que me fogem constantemente dos dedos e aprisioná-las num contexto atraente para que os leitores deduzissem o meu valor literário. Como? Sei que vou escrevendo a esmo, numa vertigem acalorada sem esquema nenhum, e às vezes, crio um texto que agrade. O que raramente acontece.
Seguindo um conselho que li outro dia, não vou forçar a mente, não vou criar um texto forçado, sem verossimilhança, o que é importante é escrever todos os dias, pelos menos uma sentença, uma frase, uma palavra, mesmo que seja uma letra. Escrever e escrever e escrever e escrever e escrever e escrever e escrever e escrever e escrever e escrever e escrever e escrever e escrever
Nenhum comentário:
Postar um comentário