terça-feira, 9 de abril de 2024

Colheu o sentimento

  

Colheu o sentimento na palma da mão e deixou que o sol expandisse em várias direções encaminhando-o ao seu destino.

Rasgou a fibra de só ser numa consistência ativa de passadas calcando uma por uma as pedras irregulares do calçamento.

Cruzou a Paulista na transversal mesmo que o tempo não fosse apropriado e saiu no colo de uma alegria que não era dele.

Sendo um estranho, compartilhou dessa alegria, compartilhou da música que naquele momento rolava sem mesmo entender o que o cantor em gritos histéricos cantava.

Compartilhou com tudo, pois sabia que compartilhando ou não você não estaria com ele e, mesmo que estivesse a música o tomaria por completo a ponto dele se desligar de tudo, até mesmo dele próprio.

E assim ele fez se desligou e voou por sobre tudo aquilo que representava a ele de negativo, voou e voou longe, tão longe que nem mesmo o teu olhar perspicaz como sempre foi, não conseguiu acompanhá-lo.

No seu voou encontrou a paz procurada encontrou outro eu que não era ele e ao mesmo tempo sentia-se ele a ponto de fechar as asas da liberdade e despencar num parafuso suicida.

Assim ele tornou-se presente em você e você se tornou nele presente em todos os instantes em que um viveu para o outro.

E a luz da manhã intensamente iluminou com candura o dia que nascia.

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