domingo, 19 de maio de 2024

A vontade é branca. (A Igualdade é Branca)

 

Não há nada para ser escrito. O vazio impinge aos dedos palavras que batem e rebatem voltando cada uma ao seu canto esquecidas. Os podres dedos, mecanicamente pressionam as teclas pretas por força do hábito. Uma a uma surgem nessa tela branca como branca é a vontade. Quem sabe pulando a janela do décimo andar seja a solução.

Os veículos, na velocidade caótica da metrópole, convidam ao salto vertiginoso e direto se esborrachando no asfalto soterrado de angústias divinas. Reza beatas escrotas o perdão dos filhos infiéis alcoólicos pelo beijo no asfalto. Sangra lábios virginais empapando de vermelho o branco do meio dia refletido no sol a agonia da humanidade.

E o menino faminto, escorre saliva do doce em seu peito sem camisa. A mãe disse para não voltar de mãos vazias, pois vazia é a branca vontade de viver, e eles, vivem como podem no branco dos cartazes poluindo a visão. O menino obediente se esforça nos faróis onde os opulentos diagnosticam um ladrão a mais a lhes roubar.

De repente ouve-se um silvo queimando a pele morena do menino. Ele tomba e um filete de sangue mancha o preto do asfalto.

E no jornal, em letras garrafa, os transeuntes lêem:


“Mais um menino morto por uma bala perdida.”


E perdidos corremos o risco de sem querer, ao virar a esquina, ou passar por uma praça, ou mesmo dentro de casa, encontrarmos com uma bala perdida.
No que diz o egoísta:


- Não sendo eu, tudo bem.

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