(A liberdade é azul)
Se a vontade é branca, a amizade é azul. Nesta primavera de inverno, o colorido
se torna encruado pelo frio inesperado. A vida corre no passo umedecido em
busca do destino certo e correto na esperança que, no final, a felicidade seja
completa. No filete de sangue há sempre uma lágrima por alguma coisa. Não a
sentimos por que o sangue seco não umedece a vida, em alguns casos a
transforma, em outros, transtorna ofuscando o azul.
Mesquinhos,
frágeis narcisistas perambulam na ociosidade mendigando comida. Ninguém lhe dá
atenção, cada um na sua e todos, um pouco por dia, morrem com a sensação de não
sentir dor. E todos caminham por seu destino julgando-se felizes por fazer o
que desejam ou, talvez, por fazerem o que julgam ser sua liberdade de expressão
e movimento. Hipocrisia pensar que estamos certo, quando nossos movimentos
dependem da liberdade expressa na liberdade dos outros.
Se
azul é a amizade, onde estão os amigos que se diziam amigos? Onde estão à
amizade recíproca que esquecidas morreram no empobrecimento dos afazeres
burguês constituindo cada um a sua família? E no azul sombrio, cada um percorre
seu caminho se libertando dos grilhões paternais e, construindo seus próprios
grilhões falsos liberais.
Liberdade
que prende, subjuga o ócio pelo proibido sempre excitado pela liberalidade que
se pretendia enraizada nos bons costumes da família e prosperidade.
Apago a luz e deixo a escuridão do quarto cobrir as pudendas partes da imaginação que se aflora em sonhos nunca realizados.
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