Os pingos irregulares caem no
asfalto de uma maneira diferente ao caírem na capota do carro cinza metálico.
O som que os pingos fazem ao
bater no asfalto é um som seco, talvez até áspero que meus ouvidos não
conseguem captar, mas que tenta decifrá-los como se fossem pontas de alfinetes
espetando a carne terra.
Os pingos na capota cinza do
carro caem, é de metal niquelado se esparramando entre sons difusos fechando a
tarde e abrindo a noite.
Veículos preocupados em transitar
suas vivenciam não se preocupam nem um pingo com a chuva.
A caterva medrosa procura abrigos
dos guardas-chuva para não se enferrujarem melancolicamente em preocupações
fúteis e corriqueiras.
É a vida diluindo o tempo único
cujo prazer é vivenciada por corações que batem involuntariamente.
A chuva não vai parar tão já,
tem-se a impressão que virará a noite umedecendo sexualmente o mundo de cada
um.
Sorrisos conquistadores volteiam
espiralando a libido fantasiosa do macho copulando a fêmea enquanto a cerveja e
o cigarro são sorvidos mutuamente.
O vai e vem de olhares deslizam
na espuma molhando o balcão.
A sexta-feira vai assim cumprindo
seu papel: compondo a cena do ato final da semana que se encerra em bebidas,
sexo e baladas orgiásticas...
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