domingo, 21 de julho de 2024

Sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006.

  

Os pingos irregulares caem no asfalto de uma maneira diferente ao caírem na capota do carro cinza metálico.

O som que os pingos fazem ao bater no asfalto é um som seco, talvez até áspero que meus ouvidos não conseguem captar, mas que tenta decifrá-los como se fossem pontas de alfinetes espetando a carne terra.

Os pingos na capota cinza do carro caem, é de metal niquelado se esparramando entre sons difusos fechando a tarde e abrindo a noite.

Veículos preocupados em transitar suas vivenciam não se preocupam nem um pingo com a chuva.

A caterva medrosa procura abrigos dos guardas-chuva para não se enferrujarem melancolicamente em preocupações fúteis e corriqueiras.

É a vida diluindo o tempo único cujo prazer é vivenciada por corações que batem involuntariamente.

A chuva não vai parar tão já, tem-se a impressão que virará a noite umedecendo sexualmente o mundo de cada um.

Sorrisos conquistadores volteiam espiralando a libido fantasiosa do macho copulando a fêmea enquanto a cerveja e o cigarro são sorvidos mutuamente.

O vai e vem de olhares deslizam na espuma molhando o balcão.

A sexta-feira vai assim cumprindo seu papel: compondo a cena do ato final da semana que se encerra em bebidas, sexo e baladas orgiásticas...

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