Meu receio é ao deixar esse
palco, isto é, essa cena de vir e ir, de condução, ônibus, metrô, esse trajeto
da Paulista, esse observar o vai e vem constante de pedestre dos mais
diferentes lugares e, dos mais diferentes aspectos físico, penso: será que
continuarei escrevendo? Será? Prevejo não sei o que; uma hora escrevendo dia
todo, outra hora desenhando, não sei, vou ter que me programar e seguir com
obrigatoriedade, como se estivesse trabalhando. Não vou ter mais o silêncio das
falas chatas, não vou ter mais o empurra e empurra do metrô, não vou ver mais a
Paulista locomotiva das ações políticas, sociais e sexuais, não vou ver mais
suas adjacências, bem isto é, não com tanta freqüência.
Papagaiasses ridículas que num
momento diverte, mas no dia a dia aborrece.
Será que verei esse prédio
pronto? O trabalhador prédio em construção, num momento de filosofia rural,
olha o edifício bonito a sua frente e pensa que talvez a vida que levamos seja
melhor que a dele. Que ele não suportaria viver oito horas por dia trancado num
escritório sentado à mesa fazendo trabalho maçante. E nós daqui olhamos para ele
e não conseguimos entender o que faz uma pessoa ficar dependurada numa altura
absurda, arriscando a vida por uma mísera quantia de sobrevivência. Talvez nos
acham infelizes e talvez nos pensamos isso deles. Mas a felicidade não esta no
que fazemos, está no que fazemos por gostamos de fazer o que fazemos.
A felicidade está em sabermos
vivos neste palco gostoso que é a vida.
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