quarta-feira, 25 de setembro de 2024

No palco gostoso que é a vida

 

Meu receio é ao deixar esse palco, isto é, essa cena de vir e ir, de condução, ônibus, metrô, esse trajeto da Paulista, esse observar o vai e vem constante de pedestre dos mais diferentes lugares e, dos mais diferentes aspectos físico, penso: será que continuarei escrevendo? Será? Prevejo não sei o que; uma hora escrevendo dia todo, outra hora desenhando, não sei, vou ter que me programar e seguir com obrigatoriedade, como se estivesse trabalhando. Não vou ter mais o silêncio das falas chatas, não vou ter mais o empurra e empurra do metrô, não vou ver mais a Paulista locomotiva das ações políticas, sociais e sexuais, não vou ver mais suas adjacências, bem isto é, não com tanta freqüência. 

Papagaiasses ridículas que num momento diverte, mas no dia a dia aborrece.

Será que verei esse prédio pronto? O trabalhador prédio em construção, num momento de filosofia rural, olha o edifício bonito a sua frente e pensa que talvez a vida que levamos seja melhor que a dele. Que ele não suportaria viver oito horas por dia trancado num escritório sentado à mesa fazendo trabalho maçante. E nós daqui olhamos para ele e não conseguimos entender o que faz uma pessoa ficar dependurada numa altura absurda, arriscando a vida por uma mísera quantia de sobrevivência. Talvez nos acham infelizes e talvez nos pensamos isso deles. Mas a felicidade não esta no que fazemos, está no que fazemos por gostamos de fazer o que fazemos.

A felicidade está em sabermos vivos neste palco gostoso que é a vida.

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