sexta-feira, 20 de setembro de 2024

o bicho homem

  

na argamassa da cidade

corre a veia da fome medigando

pelas ruas a ignorante miséria

a revolver detritos sentimentais

 

entre ferros retorcidos

molambentos vorazes

engolem o vazio

sem noção de serem

gato rato ou cão

 

e na imundície

de seres vivos

dorme o bicho

homem debaixo

da marquise da vida

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