segunda-feira, 9 de setembro de 2024

O passado não me interessa.

  

O vento balança a angústia e se dispersa na rotina de papéis que vão sendo arquivados em caixas de papelão. Registros de vidas guardadas no tempo que não espera nossa decisão. Jogo para dentro a magoa, lacro a caixa, e chamo o carregador para levá-la.

Não adianta alimentar sentimentos masoquistas, também não posso fugir deles. Faz parte da paixão que consume o nada.  Apenas a voz do Milton Nascimento repete nada, nada, nada, que se infiltra, fibra por fibra, na sensibilidade.

Nada é onde caminho num prazer á procura de reaver a última lembrança. Procura que me leva de bar em bar, consumindo chopes um atrás do outro, tendo no rosto o sorriso de caçador e, por fraqueza, surrupio carícias entre um olhar e outro na luz difusa do bar decadente.

Não olho o passado, ele não me interessa.

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