O
vento balança a angústia e se dispersa na rotina de papéis que vão sendo
arquivados em caixas de papelão. Registros de vidas guardadas no tempo que não
espera nossa decisão. Jogo para dentro a magoa, lacro a caixa, e chamo o
carregador para levá-la.
Não
adianta alimentar sentimentos masoquistas, também não posso fugir deles. Faz
parte da paixão que consume o nada.
Apenas a voz do Milton Nascimento repete nada, nada, nada, que se
infiltra, fibra por fibra, na sensibilidade.
Nada
é onde caminho num prazer á procura de reaver a última lembrança. Procura que
me leva de bar em bar, consumindo chopes um atrás do outro, tendo no rosto o
sorriso de caçador e, por fraqueza, surrupio carícias entre um olhar e outro na
luz difusa do bar decadente.
Não
olho o passado, ele não me interessa.
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