O sol reparte a vida em claridade e sombras que
languidamente se estendem por prédios, carros, pessoas famintas ou não,
árvores, concreto, calçadas limpas, esburacadas, fachadas protegidas por
máscaras individuais preocupadas apenas com a aparência compondo assim o meio
dia dessa quinta, véspera de feriado.
Deslizo como zumbi esfomeado de saber que a vida não
mudará só porque tomei determinada decisão. Sou mais um ponto na cosmologia da
cidade, o qual percorro labirintos que sossegado transpiro numa aderência
pragmática que interfere na pele.
Mas essa interferência poderá ser uma visão solitária
dos prédios que se erguem altivos para o além como monstros assustadores
retaliando vidas que não conseguem um pouco de ar para respirarem normalmente.
Interferência que se estende até segunda onde a manhã
de frio, vento e garoa transcende preocupações que se poderá tomar
a semana toda.
O que não me preocupa, pois as preocupações devem ser
resolvidas uma a uma conforme forem aparecendo e, não antecipadamente como
muitos tentam fazer.
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