Correu o dedo sobre o amendoim. Onde e quando foi que escreveu essa frase? Correu o dedo sobre o amendoim salgado que o garçom trouxera.
Lembrava até da cena nitidamente.
Mas onde e quando escrevera? Gostava de amendoim, é claro, mas isso não queria
dizer nada.
Na mesa ao lado, quatro rapazes
conversavam bravatas entre um copo e outro de cerveja. Eles, também não
saberiam dizer quando escrevera a frase. E muito menos o garçom, que neste
momento, aproveitava a folga para conversar com o chapeiro. A televisão
estridente também não o ajudava em nada, pelo contrário, atrapalhava.
Correu o dedo sobre o amendoim.
Correu o dedo alongando o máximo
possível e, um a um, foi fechando sobre a caneta. Ao sentir a frieza do objeto
entre seus dedos, começou a escrever aleatoriamente.
A mão deslizava cobrindo as
linhas da velha agenda, preenchendo-as com garatujas que mal se conseguia
entender. Descendo linha por linha, a caneta imprimia na folha, ao comando da
mão, palavras na agenda de três anos atrás.
E sem se resolver, estrangulou o
temor da frase no fundo do copo, colocou ponto final e fechou a agenda não
pensando mais no assunto.
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