Tenso
se jogou por cima do desespero descontrolado num devaneio de desconexas
palavras a ponto de assustar-se consigo mesmo.
Falava
incompreensivelmente, a língua solta, mole batia nos dentes, sem conseguir
colocar numa ordem as palavras do pensamento pela surpresa do susto.
Meio
que invadido de vergonha ao ser exposto o seu escondido, retesou a câimbra do
desgosto e, resoluto, pediu um copo de água gelada.
Perverteu-se
ao sentir o baque do gelado liquido invadindo suas entranhas e, espantando, o
mal estar escorrendo lentamente dele.
Notou
a cor voltando ao constatar que a temperatura do corpo aumentava.
Conseguiu
falar normal de sempre e rogou que lhe tirassem a parafernália do joelho.
Olhando
dentro dos olhos pretos, grunhiu uma desculpa roufenha sem se melindrar com o
que pensassem dele.
Pegou
as muletas, devagar as encaixou debaixo do braço e, sem pressa de querer ir,
saiu enfrentando o sol da manhã lembrando a vida regurgitando a necessidade de
viver.
Nenhum comentário:
Postar um comentário