todas as vezes que se olhava no
espelho achava que tudo estava nele
que tudo estava dentro de sua
personalidade arcaica
o que não sabia e nem deveria
saber era desse arcaísmo tresloucado
se soubesse, acredito, colocaria
tudo a perder
principalmente o que de maior
valor havia nele
todas as manhãs sentia-se tomado
por uma emoção descontrolada
como se fosse a primeira vez dando-lhe
prazer inusitado
em continuar sempre na luta
continuar sempre amando a vida
isso lhe satisfazia?
era a pergunta que martelava na
mente
achava que sim outras vezes que
não
no entanto constatava certo
equilíbrio
um equilíbrio morno evidente
mas que o atiçava a agir
oferecendo
o que era preciso para viver excitando-o
ao constante perigo
o perigo que instigava sua
capacidade intelectual
em saber-se em constante perigo
principalmente viver o perigo
toda vez que respirava
que falava
que pensava
que transava
em fim
tudo que lhe dizia respeito
e quanto a isso
seguia a risca
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