“Tenho que te
contar algo”.
Me disse um dia
que não lembro qual foi. Numa voz calma, firme, ela me disse:” Tenho que te
contar algo”, e tudo continuou na mesma. Nada mudou. Não estranhei, quer dizer,
não havia o que estranhar se o que estava acontecendo era porque eu precisava
saber. Um sentimento bateu fundo me obrigando a criar um alerta. Esse “tenho
que te contar algo” não era costume dela. Quando tinha que falar ela falava na
cara de quem fosse, não media as palavras, portanto esse “tenho que te contar
algo” soou estranho, fez com que eu ficasse com um pé atrás. O que seria? Sem
me importar aparentemente, continuei fazendo o que estava fazendo. Talvez,
estivesse tomando café, não sei. Minutos depois disse:
“Conheci uma
pessoa”.
Continuei tomando
café silenciosamente.
“Me apaixonei por
ela”.
Sem proferir uma
palavra continuei com o meu café, se era café que eu estava tomando, não sei.
“Portanto não
tenho motivo para ficar aqui, vou embora”.
Minha mão tremeu
ligeiramente. Continuei calado.
“Não vai dizer
nada?”
“Não vou, disse
para ela, para que se já foi tudo resolvido sem me consultar. Decidiu trocar-me
por outro não tenho o direito de interferir, não é mesmo? Tchau e bença seja
feliz”.
Decepcionada com
a minha calma, saiu da cozinha batendo os pés no ladrilho. Acabei de tomar
café, se era o que estava fazendo mesmo, pois não lembro. Por que isso?
Conheceu um cara melhor que eu? Transa melhor? Tem um pau maior que... para!!
Para de pensar bobeira, cara. Aconteceu, aconteceu ora bolas. Instantes depois
ela aparece com uma pequena mala e um mochila nas costas.
“O que você achar
o que for meu, me avisa que mando alguém buscar.”
Saiu batendo a
porta, nem disse passe bem, seja feliz, saiu e pronto. “O que for meu...”. Seu
uma merda, não tem nada aqui seu. Não tem direito nenhum, tudo o que tem aqui é
meu. Assim ela saiu da minha vida para nunca mais voltar.
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