sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Decisão.

  

Esticou os braços. Espalmou o ar frio da noite. Ao mesmo tempo, lágrimas corriam pela face macilenta bem no momento em que o violino lançou  no ambiente, uma doce e prolongada nota de tristeza. Uma nota meio que amórfica e, no entanto, constatou que não estava triste. Constatou arrepiado que estava apenas um pouco chateado, quer dizer, achava que estivesse um pouco chateado. Colocou o livro sobre a mesinha improvisada e inclinou a cabeça para trás apoiando-a no travesseiro alto. Seu olhar dançou pelas paredes da sala e se viu impregnado nos quadros e desenhos organicamente pendurado revelando sua poética existência. Fechou os olhos. Tentou dormir. E quando amanheceu acordou dentro da realidade dos seus sonhos para serem ainda realizados. Sorriu como alguém que encontra um novo amor. Decidiu viver mesmo que os sonhos nunca sejam realizados.

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