Esticou os braços. Espalmou o ar
frio da noite. Ao mesmo tempo, lágrimas corriam pela face macilenta bem no
momento em que o violino lançou no
ambiente, uma doce e prolongada nota de tristeza. Uma nota meio que amórfica e,
no entanto, constatou que não estava triste. Constatou arrepiado que estava
apenas um pouco chateado, quer dizer, achava que estivesse um pouco chateado.
Colocou o livro sobre a mesinha improvisada e inclinou a cabeça para trás
apoiando-a no travesseiro alto. Seu olhar dançou pelas paredes da sala e se viu
impregnado nos quadros e desenhos organicamente pendurado revelando sua poética
existência. Fechou os olhos. Tentou dormir. E quando amanheceu acordou dentro
da realidade dos seus sonhos para serem ainda realizados. Sorriu como alguém
que encontra um novo amor. Decidiu viver mesmo que os sonhos nunca sejam
realizados.
Nenhum comentário:
Postar um comentário