segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Demorar só o necessário.

  

Correu um risco no ar.

Brilhou cristalino olhar que luziu extinguindo no sentimento fechado. Cruzou os dedos imaginativos sobre as lembranças. Cotovelo apoiado no balcão sujo do bar deixou os nervos corroerem a carne rígida para depois pousarem lânguida na vontade de permanecer um pouco mais.

Permaneceria sim. Sabia que permaneceria.

O combinado foi de demorarem só o necessário.

Assim, arrastou a vontade para dentro e pediu outra cerveja.

E inesperadamente correu o risco pelo balcão pousado entre a distancia que o separavam.

Olhou, claro não deixou de olhar, o fluido magnético se interpôs ao ver que era correspondido.

O combinado foi de só demorarem o necessário.

E o necessário findava em mágoa escorrendo no tempo esgotado.

Não é sua culpa, pensou meio que desgostoso, não claro que não, já estava a espera um longo tempo.

Portanto, não era culpa sua se seu olhar bateu de frente na musculatura do desejo que aflorava.

Numa lentidão preparada, mas disfarçada para que não parecesse ansioso, levou o copo à boca e bebeu um bom gole de cerveja.

O coração sorriu afugentando o desespero da espera frustrada.

Aproximou-se encurtando a distância que para ele, parecia grande.

Encurtou, fizera o certo.

Enroscou-se na sensação garantida.

Pensou: o combinado foi de só demorarem o necessário.

Portanto não sentia remorso ao sair do bar acompanhado.

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