Correu um risco no ar.
Brilhou cristalino olhar que
luziu extinguindo no sentimento fechado. Cruzou os dedos imaginativos sobre as
lembranças. Cotovelo apoiado no balcão sujo do bar deixou os nervos corroerem a
carne rígida para depois pousarem lânguida na vontade de permanecer um pouco
mais.
Permaneceria sim. Sabia que
permaneceria.
O combinado foi de demorarem só o
necessário.
Assim, arrastou a vontade para
dentro e pediu outra cerveja.
E inesperadamente correu o risco
pelo balcão pousado entre a distancia que o separavam.
Olhou, claro não deixou de olhar,
o fluido magnético se interpôs ao ver que era correspondido.
O combinado foi de só demorarem o
necessário.
E o necessário findava em mágoa
escorrendo no tempo esgotado.
Não é sua culpa, pensou meio que
desgostoso, não claro que não, já estava a espera um longo tempo.
Portanto, não era culpa sua se
seu olhar bateu de frente na musculatura do desejo que aflorava.
Numa lentidão preparada, mas
disfarçada para que não parecesse ansioso, levou o copo à boca e bebeu um bom
gole de cerveja.
O coração sorriu afugentando o
desespero da espera frustrada.
Aproximou-se encurtando a
distância que para ele, parecia grande.
Encurtou, fizera o certo.
Enroscou-se na sensação
garantida.
Pensou: o combinado foi de só
demorarem o necessário.
Portanto não sentia remorso ao
sair do bar acompanhado.
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