segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Agradeço aos deuses

 

 

Lentamente a lágrima escorre na lente dos ósculos enquanto o sol sorri o brilho nos prédios de vidros escuros.

 

E na momentaneidade dos gestos, os fatos se tornam mais integro expondo o dia á sua fragilidade.

 

Cada um faz ou tem na cosmografia humana a capacidade de mudar dos seus sentimentos o destino.

 

A luz se infiltra entre as laminas da persiana fechada impondo sua consistência no ambiente claustrofóbico de vozes esparsas delineando o profissionalismo de cada um.

 

Sombras se aproximam, nada para se admirar, apenas o corriqueiro impondo sua carga mesquinha em ombros esfoliados pela procura do que deve ser encontrado.

 

Tudo induz ao suicídio mental desprezando o físico intelecto do corpo, invólucro farto de mesquinhez e apatia, se desintegrando ao idolatrado consumismo.

 

Faltam palavras para expressar, não o suave ódio por viver, mas o ameno ódio por caminhar nos solitários caminhos da vida intelectual sem os prazeres necessários para uma boa companhia.

 

E, consciente, se ajoelha, abaixa a cabeça e agradeça aos deuses por ainda estar vivo.

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