sexta-feira, 28 de março de 2025

o olhar

 

 

teu olhar dirigido para a câmara

olhando para frente nada tem de indagador

é um olhar manso de criança observadora

um olhar que ainda irá crescer

é um olhar que irá perder a inocência

é um olhar seu totalmente seu

que ao crescer perderá a individualidade

e passará a indagar onde estará

o teu olhar especial

o teu olhar conhecido

 

todos procuram um olhar

para ser olhado ou talvez amado

um olhar que do meio da multidão

grita mudo: olhe para mim

eu estou aqui

veja-me para que eu possa retribuir

 

no meio de tantos olhares

surge a grande incerteza

uma troca gratificante

quase emocionante

de sermos lembrados

de sermos reconhecidos

 

um olhar teu me acalma

mesmo que não saiba o que sinto

eu saberei o que você sente

e esse saber traz em nós a calma

de sermos nós mesmos

e não sermos o que nos é proibido ser

 

não há em nossos gestos representação

representar sem fingir

é uma forma de escondermos

o nosso “eu”

 

sim o jogo já aconteceu

todos os dias o jogo acontece

no momento em que abrimos os olhos

em frente ao espelho da memória

ouvimos as gargalhadas

ainda não fomos vencidos

 

continuemos cantando as músicas

continuemos escrevendo literatura

continuemos fotografando nossas fotos

 

e principalmente continuemos vivendo

a nossa esplêndida vida 

        “nem preciso ser sem ser”

                              Dede Silvério

 

 

teu olhar dirigido para a câmara

olhando para frente nada tem de indagador

é um olhar manso de criança observadora

um olhar que ainda irá crescer

é um olhar que irá perder a inocência

é um olhar seu totalmente seu

que ao crescer perderá a individualidade

e passará a indagar onde estará

o teu olhar especial

o teu olhar conhecido

 

todos procuram um olhar

para ser olhado ou talvez amado

um olhar que do meio da multidão

grita mudo: olhe para mim

eu estou aqui

veja-me para que eu possa retribuir

 

no meio de tantos olhares

surge a grande incerteza

uma troca gratificante

quase emocionante

de sermos lembrados

de sermos reconhecidos

 

um olhar teu me acalma

mesmo que não saiba o que sinto

eu saberei o que você sente

e esse saber traz em nós a calma

de sermos nós mesmos

e não sermos o que nos é proibido ser

 

não há em nossos gestos representação

representar sem fingir

é uma forma de escondermos

o nosso “eu”

 

sim o jogo já aconteceu

todos os dias o jogo acontece

no momento em que abrimos os olhos

em frente ao espelho da memória

ouvimos as gargalhadas

ainda não fomos vencidos

 

continuemos cantando as músicas

continuemos escrevendo literatura

continuemos fotografando nossas fotos

 

e principalmente continuemos vivendo

a nossa esplêndida vida

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