sexta-feira, 30 de maio de 2025

adiamento

 

 

na garganta da memória

o verso se impregna de palavras

forjadas ao sussurrar

na tarde que normalmente

avança

 

vozes se sentem crispadas

nos lábios trincando copos

enquanto embaçados olhos

pela rotineira vida

 

se entregam nos dizeres ávidos

e aleatórios

e se escondem nos recônditos

da mente pelo álcool adormecidos

 

o vento escorre friagem

entre copos e corpos

e garrafas

pois outra vez

a morte foi adiada

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