enrosco-me no fluir da noite anterior
e me pego
prisioneiro da saudade
o dia cinzento
temperatura baixa
revela na
cartilagem das pedras
o espinho grotesco
enroscado
na garganta
atrofiando a fala
a chuva fina
espalha umidade
na pele dos pés que
escorregam
no ladrilho
laminado das calçadas
empoçadas de
negrume nodosos
pouco se importam
os transeuntes
esquecidos de si
mesmos
caterva que ladra
seu grito
pelas catacumbas do
labirinto
recriando os passo
da agonia
no escuro profundo
de cada ser
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