A aposta.
A
noite parecia prometer. Era aniversário do Marcus e todos estavam ali para se
divertirem. A maioria dos amigos dele e, porque não dizer nosso, já que eu
estava sempre junto, aliás ele era minha paixão escondida, eu o adorava. Alto,
olhos de uma castanho claro fuzilante, boca nem carnuda e nem pequena, nariz no
tamanho certo, um corpo esbelto de fazer qualquer um babar ou, se masturbar.
Estava tudo às mil maravilhas até que um dia, ao entrar em sua casa, pois
tínhamos a liberdade de entrar e sair tanto na minha como na dele, morávamos
perto, o surpreendi se masturbando. Não sei se fiquei estarrecido ou
petrificado, não pelo fato em si, mas pelo fato de nunca ter visto o membro de
Marcus. Tínhamos uma intimidade boa, gostosa até, mas nunca ficamos pelado um
na frente do outro, e além do mais, se estava chocado, quer dizer, já tinha
visto muitos membros, eu participava do time da escola, e no vestiário ninguém
tinha pudor de ficar nu, ainda bem que estudávamos em escola diferente. Não sei
se fiz algum movimento ou se minha respiração ofegante me denunciou, ele me viu
e logo desajeitado se levantou. Não falou nada, isto é, não falamos nada, um
olhando para o outro, quer dizer, ele olhava para mim e eu para o seu membro.
Com um pouco de dificuldade, suas calças estavam no tornozelo, se aproximou de
mim. Chegou bem perto, pensei que fosse dizer alguma coisa, olhávamos agora nos
olhos um do outro. Foi então que lentamente pegou na minha mão e conduziu até o
seu membro. Não fiquei surpreendido com tal ato, eu não estava ali, não
estávamos mais na casa dele, estávamos num lugar distante, onde não havia nada,
era só nos dois e, talvez, dentro de mim já soubesse que algo um dia
aconteceria, assim, deixei ser conduzido e fechei meus dedos no membro dele. Ao
toque da pele da minha mão na pele macia do membro, senti um arrepio extasiado.
Fiquei um tempo apenas segurando o belo mastro até que Marcus com sua mão em
cima da minha começou o vai e vem. Eu o masturbava lentamente e conforme seus
ais fui aumentando o movimento. Ficamos uns dez minutos assim. Com a mão em meu
ombro ele fez pressão para baixo, obedeci e, sem pensar, abocanhei o membro. A
princípio meio desajeitado, sem saber como agir e, aos poucos consegui um ritmo
agradável. Minha língua passava pela cabeça vermelha e descia até as bolas. Não
ousava tocar em outro lugar do seu corpo, não pensava, não ousava pensar.
Não consegui me definir se estava gostando ou não, seguia apenas os gemidos de Marcus,
era o que me deixava excitado a ponto de intensificar os movimentos. E no
instante em que senti o líquido quente na boca, foi que a ficha caiu. Queria
aquilo, mas não dessa maneira e no mesmo instante fui tomado por um senso
crítico que me deixou envergonhado. Não olhei para onde cuspi e sai correndo da
casa dele. Ouvi seus gritos me chamando, não dei a mínima. Chegando em casa corri
ao banheiro, por cinco minutos fiquei escovando os dentes. Escovei os dentes
não por achar nojento, e sim, porque não imaginava acontecer o que aconteceu
dessa maneira ridícula, indecente. Ficamos quase um mês sem nos vermos. Por
morarmos perto eu o evitava, calculava os momentos que soubesse que não fosse
cruzar com ele. E esse dia, por um descuido, acabamos nos cruzando. Foi
instantes constrangedor, não tinha como fugir, quer dizer, tinha como fugir, eu
é que não queria, mesmo evitando-o lá no fundo desejava encontrá-lo. Ficamos
nos olhando, a princípio sério, principalmente eu e, sem percebermos, fomos nos
aproximando. Quando estávamos perto caímos na risada para logo em seguida nos
abraçarmos e ao mesmo tempo um convidou o outro para beber algo. E no balcão do
bar, tomando uma cerveja foi que ele me revelou que desconfiava do meu interesse
nele. E se desculpou pelo ocorrido, que agiu apenas motivado pelo excitamento
sem pensar nas consequências. Confirmei realmente que estava interessado nele
desde muito tempo, e naquele dia fugi por sentir vergonha e que não esperava acontecer
daquela maneira. Conversamos longamente e não tocamos no assunto de como
ficaríamos no futuro, isto é, se seriamos namorado ou não, se esqueceríamos o
incidente, não falamos em amor. Nos despedimos, ele foi para o trabalho e eu
para o meu. Tudo voltou ao que era antes, tudo normal, parece que foi passado uma
borracha, não tocamos mais no assunto, até que meses depois, chegou o
aniversário de Marcus. A noite prometia, estava agitada, a maioria dançava e
outros na mesa bebendo, conversando. Sentado na poltrona de costas para a
pista, bebia pela não sei quantas vezes minha bebida preferida, caipirinha,
quando senti cutucarem meu ombro. Virei a cabeça e deparo com um rapaz bonito,
magro, definido fisicamente, um sorriso encantador, me convidando para dançar.
Não hesitei, me levantei, sem pensar peguei em sua mão e fomos para o centro da
pista e dançamos por um bom par de tempo. Ele dançava bem, se achegava em mim,
roçava seu corpo no meu, com seus braços em meu ombro rebolava sexualmente com
movimentos eróticos e sensual. Eu o acompanhava não deixava a peteca cair,
quando olho Marcus e todo o pessoal nos observando. Parei de dançar e fui me
sentar, e ao pegar o copo de caipirinha escuto ele dizer ao Marcus: - Ganhei.
Pague a aposta. Senti o sangue ferver, me acheguei ao Marcus, com raiva joguei
a caipirinha em sua cara e disse: - Seu veado. Porra, te amo. E violentamente o
beijei para em seguida apliquei um murro em seu estômago que ele dobrou o corpo
e aproveitei dei outro de baixo para cima em seu queixo fazendo-o cair no meio
do pessoal que dançava. Me amaldiçoando sai da boate e fui para casa. Hoje
completa vinte anos que estamos juntos.
imagem: https://primeirahorasc.com.br/area-52-aposta-em-house-music-e-gastronomia-na-festa-alterna-with-us/

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