Doze horas e cinquenta e três minutos. O sono
me pega. Os olhos cheios de lágrimas dão impressão de que estou chorando. Rua
Vergueiro. Prevent Senior a espera da doutora. Foi almoçar. Esta para chegar.
Como sempre o vai e vem é intenso, corpos decrépitos em busca de salvação,
doentes idosos acompanhados ou não na espera de algo. Milagre? Já foi o tempo
deles, agora é encarar a realidade. Querem prolongar em mais uns dias, meses ou
anos, a vida. Querem vencer o tédio da velhice, querem esquecer o que os
atormenta, sem saber que a cura não está na matéria, nos remédios, no aval
médico, mas sim, na mente, doença não existe acreditem nisso. Precisam expulsar
sentimentos, pensamentos negativos da vida. Extirpar a negatividade dos olhos
que projetam isto ou aquilo que os incomoda. Treze horas e vinte minutos. A
doutora talvez esteja chegando. Cada cabeça, cada olhar traz em uma história,
uma dúvida, uma pergunta: até quando ficarei aqui? Todas têm seu caminho
traçado, todos personagens do imenso teatro da vida. Uns pequenos nos seus
papéis, outros insignificantes, outros ainda meros coadjuvantes, mas todos
compenetrados em seus papéis prisão. É isso, não é?
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