Eu nunca me deixarei.
Como pode uma pessoa estar deprimida por estar
sozinha!
Para começar, ela não está sozinha, ela está
com ela mesma, nunca sozinha.
Eu estou comigo vinte e quatro horas, nunca me
deixo.
As vezes esse estar comigo mesmo me sufoca que,
chego para mim e falo:
- Osvaldo, vai para o bar tomar umas e me deixa
sossegado.
Ele não vai, claro, pois se ele for terá que me
levar, esse grude as vezes é insuportável.
Tem momentos, a maioria deles eu gosto.
Alguns, o que são poucos, não gosto, mas
suporto.
As vezes quero fazer algo diferente ele me
fala:
- Vamos desenhar, hoje não desenhamos nada.
Pronto, lá vou eu desenhar.
- Vamos fazer papel machê.
E lá vou eu fazer papel machê.
- Vamos pintar os vasos.
E lá vou eu pintar os vasos.
É um tal de fazer isso e aquilo que vou te
contar.
E quando toca uma música bonita!
Ele me pega, me arrasta para o meio da sala e
ficamos os dois dançando.
E quando é a música que nós gostamos, meus
olhos se enchem de lágrimas.
Fico meio que envergonhado, tamanho marmanjão
chorando.
- Que isso, é normal, essa atitude confirma
quanta sensibilidade você tem.
Ele me diz.
- Você tem o coração de ouro.
Todas as vezes que olho no espelho, ele está
lá, sorrindo, os olhos brilhando contente.
- Te amo.
Me diz todas as noites.
E vou dizer uma coisa, nunca ficarei deprimido
por estar sozinho, pois nunca estarei sozinho.
Eu tenho eu para me fazer companhia.
E eu nunca me deixarei.
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