sexta-feira, 10 de janeiro de 2020


Eu nunca me deixarei.


Como pode uma pessoa estar deprimida por estar sozinha!
Para começar, ela não está sozinha, ela está com ela mesma, nunca sozinha.
Eu estou comigo vinte e quatro horas, nunca me deixo.
As vezes esse estar comigo mesmo me sufoca que, chego para mim e falo:
- Osvaldo, vai para o bar tomar umas e me deixa sossegado.
Ele não vai, claro, pois se ele for terá que me levar, esse grude as vezes é insuportável.
Tem momentos, a maioria deles eu gosto.
Alguns, o que são poucos, não gosto, mas suporto.
As vezes quero fazer algo diferente ele me fala:
- Vamos desenhar, hoje não desenhamos nada.
Pronto, lá vou eu desenhar.
- Vamos fazer papel machê.
E lá vou eu fazer papel machê.
- Vamos pintar os vasos.
E lá vou eu pintar os vasos.
É um tal de fazer isso e aquilo que vou te contar.
E quando toca uma música bonita!
Ele me pega, me arrasta para o meio da sala e ficamos os dois dançando.
E quando é a música que nós gostamos, meus olhos se enchem de lágrimas.
Fico meio que envergonhado, tamanho marmanjão chorando.
- Que isso, é normal, essa atitude confirma quanta sensibilidade você tem.
Ele me diz.
- Você tem o coração de ouro.
Todas as vezes que olho no espelho, ele está lá, sorrindo, os olhos brilhando contente.
- Te amo.
Me diz todas as noites.
E vou dizer uma coisa, nunca ficarei deprimido por estar sozinho, pois nunca estarei sozinho.
Eu tenho eu para me fazer companhia.
E eu nunca me deixarei.

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