quinta-feira, 9 de janeiro de 2020


Foi assim


então que ele morreu. Dirigia e viu o corpo pender para a frente, a testa bater no volante, acionar a buzina ensurdecedora quebrando o silêncio da vida. Morreu no meio da estrada. Soube na hora. O carro caiu na ribanceira. E ali na imensidão do nada, perguntou:
- Onde estou?
Caminhou um pouco para frente. Um pouco para traz. Um pouco para a esquerda. Outro pouco para a direita. Onde estou? Em cima ou embaixo? Berrou para o alto:
- Universo onde estou? Dê-me uma dica. Que dimensão?
Silêncio mais alto do que o nada.
- Onde estou Universo?
Nisso, arrastado, jogado de um lado para o outro, imagens passaram a sua frente, de repente, estagnado, sentiu-se gosma querendo penetrar algo, quebrado a resistência, perdeu completamente a noção, e no escuro ficou nove meses.



imagem: http://condominiosc.com.br/jornal-dos-condominios/infraestrutura/2111-nove-meses-no-escuro

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