sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

No que estou pensando 06


E foi, então que bateram palmas. E essas palmas me pareceram vir de longe, mas percebi que vinham do portão. Moro numa vila onde as casas estão dispostas uma ao lado da outra, devem ser umas quinze casas, e a minha é a primeira, isto é, mais perto do portão. Portanto devido a essa posição geográfica fui atender quem batia palmas.
- Pois não, disse ao abrir o portão e deixando a chave na fechadura.
- Por favor, o Cardoso está?
- Sou...
Nisso uma rajada de vento inesperado bateu o portão com violência fazendo a chave cair e rolar para longe. O portão sendo alto e tendo uma placa metálica embaixo para evitar intrusos e outras coisas indesejáveis, e o chão por ser um declive, a chave caiu longe, dificultando pegá-la.
- Que merda eu disse.
- Por favor, pode chamar o Cardoso.
- Mas eu sou...
Nisso um sujeito sai da minha casa.
- Estava procurando minha chave e ela estava aqui. Como foi que veio parar aqui.
Olhei para o cara assombrado ao mesmo tempo que ele olhou para mim, se assombrado ou não, não sei, não deu pelotas, virou as costas dirigindo-se a minha casa.
- Espera venha aqui. Quem é você?
- Oras sou o Cardoso.
- Pera aí, eu que sou o Cardoso, moro nessa casa já faz dois anos.
- Não te conheço cara e por coincidência moro aqui a dois anos.
- Venha aqui vamos conversar. Tem um cara que quer falar com você.
Mas não me ouviu. Entrou em casa. Virei o corpo para falar com o rapaz que queria falar comigo, isto é, com o Cardoso, tinha sumido. Será que estou sonhando? Espera, vou chamar meu sobrinho. Peguei o celular.
- Ale, tudo bem? Sim, tudo bem também. Será que pode vir até o portão? Legal, obrigado.
Instantes depois surge meu sobrinho sem camisa, com uma bermuda até o joelho. Assim que chegou ao portão, falei:
- Ale...
- Quem é você e como sabe o meu  nome?
- Sou seu tio Cardoso...
- É mesmo? Não te conheço.
- Como não me conhece, irmão da sua mãe...
- O meu tio, irmão da minha mãe mora naquela casa.
- Mas sou eu, Ale.
- E outra coisa, não sei como conseguiu o número do meu celular, se me ligar de novo chamo a polícia.
E foi embora. Como pode ser isso? Já sei, vou perguntar para a Alice. Atravessei a rua e apertei a campainha. Quando ela apareceu, perguntei:
- Você me conhece?
- Não, me respondeu.
- Como não! Sou o Cardoso, seu primo.
- Não te conheço, meu chapa.
Desolado, ainda na esperança de que me conhecesse, perguntei:
- Tem certeza?
- Sim.
Caramba, e agora, tem minha irmã, ela vai me reconhecer.
Fui até a casa dela e apertei a campainha. Ela apareceu na sacada.
- Pois não?
Nesse pois não, já me disse que não tinha me reconhecido, mesmo assim perguntei:
- Você me conhece?
- Não. Porque? Devia te conhecer?
- Não. Está bem, obrigado.
Cabisbaixo, intrigado comecei a descer a rua sem saber onde ir, o que fazer, o que decidir, quando esbarrei comigo que mora na minha casa.
- Desculpe, cara.
Olhei para ele que olhou para mim e vendo minha cara angustiada, me disse:
- Cara, sabe o que está acontecendo?
- O que?
- Acho que você é de outro nível, por algum motivo você caiu aqui.
- É pode ser. Ou será você que caiu de outro nível.
- Olha não sei, mas uma coisa eu sei, estou com sede, e você?
- Também estou com sede.
- Então vamos tomar uma cerveja.
- É melhor mesmo.
E assim eu com eu fomos até o bar tomar uma cerveja.

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